A onda de protestos que começou em junho no País teve 1.720 pessoas detidas, entre elas 230 adolescentes. Dos 1.490 adultos presos, 170 foram indiciados pelas autoridades até a última sexta-feira - equivalente a 11%. Pelo menos 157 pessoas ainda são investigadas, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Os dados são referentes a investigações realizadas em 24 capitais e no Distrito Federal - as autoridades de segurança do Maranhão não forneceram as informações. Em São Paulo, 212 pessoas foram detidas, mas a Secretaria da Segurança Pública do Estado disse que não tinha o número de indiciados. Pelo menos 99 adultos continuavam presos na sexta-feira. A maioria das pessoas indiciadas responde por crimes como formação de quadrilha, dano ao patrimônio, furto e roubo. Em Belo Horizonte, mais de 50% dos adultos detidos foram indiciados - 72 dos 141 presos.

Protestos contra tarifas 
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.