Há exatos dez anos, uma jovem, de então 19 anos, ficou tetraplégica ao ser baleada no campus do Rio Comprido da Universidade Estácio de Sá, na zona norte do Rio. Luciana Novaes era estudante de enfermagem e foi atingida por uma bala no dia 5 de maio de 2003.
Depois de ficar 21 dias internada em estado grave, com apenas 1% de chance de sobreviver, Luciana reaprendeu a viver e a dar valor para as coisas simples.
Agora, com 29, a vítima da violência vai participar de um ato ecumênico para celebrar os dez anos do seu "segundo nascimento" e também para comemorar um avanço no tratamento: ela já consegue ficar mais de um minuto várias vezes ao dia sem usar o aparelho para respirar.
— Eu só tenho a agradecer a Deus e à minha família. Eu tinha 1% de chance e consegui superar tudo isso. Hoje, vejo que o que passei tinha algum motivo, uma razão. Eu passeio nas ruas e as pessoas falam comigo, dizem que eu sou exemplo de superação, de vida.
O ato ecumênico será as 10h deste domingo (5) na praça Afonso Pena, na Tijuca. Além de amigos e familiares de Luciana, são esperadas pessoas que já perderam parentes por causa da violência, como o presidente da ONG Gabriela Sou da Paz, Santiago Ribeiro, que teve a sua filha assassinada por bandidos em uma estação do metrô em março de 2003.
— Eu fiz uma missa nos dez anos em que a minha filha morreu. A Luciana foi e disse que queria uma igual para ela. Eu escolhi o lugar e ela ficou muito feliz. Várias pessoas ligadas ao movimento contra a violência estarão presentes.