O Iraque celebrou neste sábado o primeiro pleito após a retirada das tropas dos EUA em dezembro de 2011 para renovar os conselhos de 12 de suas 18 províncias, em uma jornada que transcorreu com normalidade, sem vítimas por ataques.

 

Em entrevista coletiva em Bagdá ao término do votação, o presidente da Comissão Eleitoral, Serbet Rasul Mustafa, informou que a porcentagem de participação chegou a 50%, mas somado os votos de sábado passado pelos membros da força de segurança, chega a 55%.

 

Mustafa qualificou os dados como "bons", dada as circunstâncias nas quais foram realizadas as eleições. Segundo dados da Comissão, a maior participação foi registrada na província de Salah ad-Din, de maioria sunita e ao norte de Bagdá, onde votaram 61% das pessoas com esse direito, enquanto a menor foi na capital, com 42%.

 

Os resultados parciais serão conhecidos em cinco dias, enquanto os definitivos no final deste mês. Apesar das autoridades dizerem que a jornada ocorreu sem incidentes, o líder da opositora coalizão Al Iraqiya, Ayad al Allawi, se mostrou preocupado perante uma possível falsificação dos resultados mediante uma manipulação de votos.

 

Allawi também acusou as autoridades de deter vários eleitores em zonas do norte da província de Babel, ao sul de Bagdá, e de impedir que alguns moradores de Al Yusifiya e de Al Latifiya exercessem o direito ao voto.

 

Cerca de 14 milhões de iraquianos foram chamados hoje às urnas para renovar os conselhos de 12 das 18 províncias do país, já que as eleições não foram realizadas nas três do Curdistão iraquiano, Al-Anbar (oeste), Ninawa (noroeste) e Kirkuk (nordeste).

 

Na saída de um colégio no bairro de Maamun, no oeste de Bagdá, Saud Salim, de 50 anos, disse à agência Efe que foi votar para "afastar do poder os ladrões, corruptos, assassinos e fracassados e para que o povo nobre e idôneo tome a iniciativa para desenvolver o Iraque".

 

Estas são as primeiras eleições realizadas após a retirada do Exército americano do Iraque em 18 de dezembro de 2011 e são um desafio para as forças da ordem iraquianas, após os atentados dos últimos dias que deixaram dezenas de vítimas.

 

De fato, a votação se desenvolveu em meio a um intenso desdobramento dos soldados de segurança. Estas medidas não impediram que dois colégios ao norte e ao sul de Bagdá fossem alvo de ataques.

 

O Iraque vive atualmente uma crise política originada pelos protestos de sunitas em várias províncias, onde os manifestantes mantêm uma queda de braço contra o governo do xiita al-Maliki pela discriminação que dizem que sofrem.

 

A aliança Al Iraqiya, integrada por xiitas e sunitas, apoia essas manifestações e em fevereiro decidiu boicotar as reuniões do Executivo de união nacional, onde ocupava oito pastas, em sinal de solidariedade.