Dois meses após o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), seis pessoas continuam internadas. Segundo o Ministério da Saúde, as vítimas estão em diferentes hospitais de Porto Alegre e nenhuma respira com ajuda de aparelhos.

Familiares e vítimas ainda continuam recebendo atendimento médico e psicológico. O governo realizou dois mutirões, com mais de 600 pessoas cadastradas, para acompanhamento do quadro clínico de todas as pessoas que tiveram contato com a fumaça produzida no local.

Na última sexta-feira (22), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou 16 pessoas pelo incêndio. O inquérito, composto por 13 mil páginas divididas em 52 volumes, foi entregue na 1ª Vara Criminal pelos delegados Marcelo Arigony e Sandro Meinerz. Ao todo, 810 pessoas foram ouvidas pela polícia nos últimos 54 dias, entre investigados, testemunhas e parentes de vítimas.

Segundo Arigony, 35 pessoas foram apontadas na investigação com indicativos de responsabilizações. Desse total, houve 16 indiciamentos criminais, dez indícios de crime, nove casos irão para a Justiça Militar e um irá para o Tribunal de Justiça. Nove pessoas foram apontadas por crimes de improbidade administrativa e devem ser investigadas pela Justiça. Entre elas, além do prefeito, o comandante regional do Corpo de Bombeiros da cidade, o coronel Moisés Fuchs.

Desde o dia 28 de janeiro, dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira — o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor musical Augusto Bonilha Leão — estão presos. O grupo, que se apresentava na casa noturna no momento da tragédia, teria usado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se alastraram em poucos minutos. Dois sócios da Kiss, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, também estão presos.

A investigação da polícia apontou que o incêndio na boate Kiss começou por volta das 3h da madrugada do dia 27 de janeiro. Segundo o delegado Arigony, o estabelecimento não tinha condições de funcionar.

Além do uso indevido de fogos de artifícios, a casa de show possuía barras de ferro de contenção que impediram a saída das pessoas do local, que não tinha apenas uma porta de entrada e saída. Segundo a polícia, o extintor de incêndio localizado ao lado do palco não funcionou quando o fogo começou.