Quando representar ao Ministério Público nesta sexta-feira (08) os documentos sobre parcela do calote de R$ 149 milhões que teria sido praticado pela gestão do ex-prefeito Cícero Almeida, o prefeito Rui Palmeira estará marcando o fim do primeiro mês de sua gestão com duas demonstrações claras do ritmo que deverá imprimir na prefeitura de Maceió nos próximos quatro anos.

Nesta sexta-feira, às 15 horas, o prefeito Rui Palmeira e o Procurador Geral do Município Ricardo Wanderley se reúnem no Ministério Público com o Procurador Geral de Justiça Sérgio Jucá. No encontro, o prefeito e o procurador entregam representações iniciais que vão solicitar a apuração de parte do rombo deixado na prefeitura pelo ex-prefeito Cícero Almeida.

A primeira demonstração é de que, diferentemente do governador Teotonio Vilela Filho, Rui Palmeira vai de imediato e no começo de seu mandato solicitar apuração das autoridades acerca de possíveis desmandos cometidos no município.

Quando assumiu em 2006, Vilela denunciou um “rombo” de R$ 400 milhões no governo do estado, supostamente deixado pelo ex-governador Ronaldo Lessa. Entretanto, Vilela demorou em entregar a documentação ao Ministério Público, realizando um ato maior e mais simbólico de entrega somente em 2010, ano eleitoral de sua reeleição ao governo.

A segunda demonstração é de que Rui Palmeira, assim como fez durante seu mandato na Assembleia Legislativa, vai cobrar que os culpados sejam responsabilizados por seus atos.

No escândalo da Operação Taturana, junto com os então deputados Judson Cabral (PT) e Paulão (PT), Rui Palmeira foi uma das vozes ativas na cobrança por apuração das irregularidades na Casa de Tavares Bastos. Com o indiciamento de Paulão pela PF, Rui e Judson assumiram papel de destaque na tribuna da Casa, reivindicando apuração dos fatos.

Informações apuradas pelo Cada Minuto dão conta de que Palmeira não quis esperar o carnaval passar para adotar medidas de austeridade, que responsabilizem ex-gestores pelo caos encontrado na prefeitura de Maceió.

Rui Palmeira teria determinado a sua equipe de secretários rapidez na reunião de informações e documentos, buscando dar subsídios para que o MP apure as denúncias. Após as “festas de Mômo”, novos documentos devem ser encaminhados ao MP pelo prefeito.

Ainda segundo apurou o Cada Minuto, a tentativa de Cícero Almeida, de responsabilizar seus ex-secretários sobre as denúncias de calote e rombo milionário nas contas da prefeitura, fazem parte da estratégia do ex-prefeito para fugir de condenações que o transformem em “ficha suja”.

Almeida já acumula indiciamentos, condenações e ações por parte dos Ministérios Públicos Estadual e Federal. Diante da ameaça, o caminho de Almeida seria tentar se “blindar” e “repassar” condenações a seus ex-secretários e assessores.