Simulação de obras públicas. Assim funcionava o esquema fraudulento detectado na Prefeitura de Estrela de Alagoas entre os anos de 2009 e 2011. Contratos eram feitos, processos para a realização de obras abertos, mas nada saía do papel. Vários empresários tiveram as assinaturas falsificadas e foram vítimas da quadrilha, que tem em seus membros o prefeito da cidade Arlindo Garrote e a mãe dele, Angela Garrote, ex-gestora do município.
Sérgio Jucá, procurador-geral de Justiça, explicou que durante as investigações do Ministério Público foram encontrados diversos procedimentos irregulares. Quando os representantes do órgão foram até a cidade para verificar a existência das obras citadas nos processos constatou-se que nada do que havia sido detalhado foi feito.
“Eram ações de limpeza, construções e reformas em escola, apenas para citar alguns casos. Quando se olha à primeira vista o processo parece perfeito, mas depois vemos que ele é viciado”, disse Jucá acrescentando que outras quatro pessoas foram denunciadas por participação no esquema.
Sobre a participação de mãe e filho no esquema fraudulento, Jucá classificou o fato como “genética do crime”. Em relação ao prefeito da cidade à época do desvio de R$ 980 mil, José Almerino, o procurador afirmou que não foram encontrados indícios de que ele tinha envolvimento com a quadrilha.
Ângela Garrote foi presa na noite de ontem. Arlindo Garrote, Washington Laurentino dos Santos, ex-secretário de Administração e Finanças, José Teixeira de Oliveira, ex-secretário de Abastecimento e Desenvolvimento Econômico, Djalma Lira de Jesus, ex-secretário de Urbanismo, Serviços Públicos e Meio Ambiente, e Marcos André Barbosa, ex-gestor da Secretaria de Saúde, estão foragidos.
Vítimas
O chefe do Ministério Público de Alagoas revelou também que os empresários que tiveram as assinaturas falsificadas nunca realizaram obras em Estrela de Alagoas. Os donos das empresas também foram incluídos em processos fraudulentos em outras cidades.
“Temos o depoimento de empresários que sequer estiveram nessas cidades. Esse esquema é semelhante ao que ocorria em Maragogi, onde o prefeito está foragido”, colocou Jucá.
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