Sair de casa e ter um dia comum de trabalho não é mais uma rotina vivida por milhares de motoristas e cobradores de ônibus em Maceió. A onda de assaltos em 2012, que amedrontou trabalhadores e usuários de transporte público, vem se refletindo no ano que chegou, e em menos de 15 dias, mais de 30 assaltos a ônibus foram registrados. Em muitos casos, as ações dos bandidos são semelhantes e o horário da noite deixou de ser a “preferência” para prática dos ataques, que agora são registrados nos horários de grande movimento.
A insegurança no transporte público não faz somente vítimas, motorista e cobradores, mas também os passageiros, que são humilhados e lesados com a ação criminosa. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Alagoas (Sinttro/AL), Élcio Luiz, afirma que não é possível contabilizar o número de usuários agredidos, já que muitos preferem não prestar queixa, mas que acredita que essa quantidade seja bem maior com relação aos rodoviários que foram vítimas.
“O usuário quando é agredido, desce do ônibus e fica à toa, ao contrário do rodoviário, que vai para a Polícia prestar queixa. Muitos assaltantes entram no ônibus não apenas para roubar o dinheiro do caixa, mas levam também a bolsa, a carteira e o celular dessas pessoas”, completou o sindicalista.
Mesmo com o alto índice de criminalidade, as medidas para combater os assaltos dentro dos coletivos ainda são precárias. Segundo Élcio, em algumas áreas da cidade como Benedito Bentes, Serraria e Barro Duro, as abordagens nos coletivos têm sido intensificadas, o que não ocorre em bairros como Farol, Tabuleiro e Vergel. O sindicato defende que além das abordagens dentro do ônibus, a Polícia poderia intensificar as rondas nos pontos de ônibus.
“Não são grupos isolados que cometem os assaltos e as empresas conseguem identificar que são essas pessoas, através das imagens, e mandam para a Polícia. Acredito que tenha uma deficiência da Polícia, já que a empresa sabe até o local, onde essas pessoas estão. Tem até uma mulher que participa desses assaltos e ela já vem participando de vários esse mês”, afirmou Élcio.
De acordo com o comandante do policiamento na capital, coronel Gilmar Batinga, a Polícia Militar vem realizando abordagens em locais e horários identificados pelas empresas através da estatística do número de assalto. Os nomes dos locais não foram divulgados por motivos de segurança.
Investigação
No ano passado cerca de 500 assaltos foram registrados, somente a empresa São Francisco foi alvo de 215 ações criminosas. Um prejuízo calculado em torno de R$ 25 mil. Dentro desse número, a investigação dos assaltos é vista como uma grande deficiência pelos rodoviários.
Segundo Élcio, os rodoviários não tiveram nenhuma resposta sobre a investigação dos casos. “A grande deficiência que nós vemos é na Polícia Civil, na construção de inquérito. A Polícia ostensiva prende leva para a delegacia e que não abre o inquérito. Durante o ano de 2012, não se abriu nenhum inquérito com relação a assaltos. Essas que pessoas assaltam ficam impunes”, disse.
Sobre a afirmação do sindicalista, a Polícia Civil informou que todos os casos estão sendo investigados pela Delegacia de Roubos da Capital em conjunto com o Serviço de Inteligência. Porém, a identificação dos criminosos é prejudicada devido à má qualidade das imagens do circuito das câmeras instaladas nos ônibus.
No próximo dia 29, rodoviários estarão reunidos com representantes da segurança pública para discutir as medidas de segurança. “Nessa reunião vamos cobrar o que não foi posto em prática e analisar o que foi posto em prática para ver se realmente está funcionando”, garantiu Élcio.
Medidas preventivas
Equipamentos como GPS e letreiros informativos são algumas medidas indicadas pelo Sinttro para facilitar a identificação de um coletivo que está sendo assaltado, assim como já adotado em outros estados, Élcio defende que o dispositivo luminoso com a frase “Este ônibus está sendo assaltado” seja instalado nos veículos.
“A empresa tem que contribuir também. Em Fortaleza colocaram nos ônibus GPS, para facilitar a localização do veículo em caso de assalto. O monitoramento de câmeras que o estado está colocando serve como segurança não só para os motoristas e cobradores, mas como para toda a sociedade”, frisou o sindicalista.
A retirada das propagandas na parte traseira do ônibus, segundo Élcio, pode dar uma maior visibilidade para a Polícia sobre o que está acontecendo dentro do veículo.
“Aqui apenas uma empresa adotou o dispositivo, mas não está colocando em prática. Além disse nos estamos orientando os motoristas a ‘cortarem luz’. Tudo isso contribui para uma maior segurança. Infelizmente a Polícia só age quando ocorre uma morte e todo o sistema para”, concluiu Élcio.
