O delegado Luiz Archimedes, da 23ª DP, disse nesta segunda-feira que a morte da menina Adrielly dos Santos Vieira, 10 anos, atingida na cabeça por uma bala perdida na noite de Natal no Rio de Janeiro, pode ter sido provocada pela trajetória do projétil. A garota esperou oito horas para ser atendida no Hospital Salgado Filho. O neurocirurgião Adão Orlando Crespo Rodrigues estava escalado para trabalhar na noite do crime, mas faltou ao plantão.
Segundo depoimento do neurocirurgião Mário Lapenta, que operou a menina no dia seguinte, a presença de Gonçalves na unidade de saúde não garantiria que Adrielly sobrevivesse. "Pelas declarações dele (Lapenta), a trajetória da bala foi o que definiu a situação toda. Quer dizer, claro que o cirurgião (Gonçalves) tinha que estar lá, mas tanto fazia a presença dele, não mudaria o final da história, a garota poderia morrer da mesma forma", disse o delegado.
De acordo com o testemunho do médico que operou a garota, o estado de saúde de Adrielly era gravíssimo. O delegado ainda ouvirá o depoimento do chefe do plantão, Ênio Lopes. A oitiva está marcada para esta segunda-feira, mas até as 15h o médico ainda não havia chegado à 23ª DP.
Adrielly deu entrada no hospital na noite de 24 de dezembro de 2012, após ser atingida na cabeça por uma bala perdida. Após esperar oito horas para ser atendida, a menina foi operada e encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu e teve morte cerebral diagnosticada no dia 30 de dezembro.
A Secretaria Municipal de Saúde instaurou um inquérito administrativo para apurar o caso. "A Secretaria Municipal de Saúde lamenta e repudia o comportamento do profissional e aplicará a punição cabível ao médico", afirmou a secretaria na ocasião.
Em depoimento, o neurocirurgião culpou a própria secretaria pelos dias que faltou ao trabalho. O médico admitiu que não comparecia aos plantões na unidade havia um mês, mas alegou que o fez por não concordar com a forma como era definida a escala. Ele afirmou que era o único especialista em sua área nos plantões, o que estaria contrariando uma norma do Conselho Regional de Medicina (Cremerj), que determina a presença de dois profissionais por plantão. Segundo a secretaria, o neurocirurgião deveria ter pedido a exoneração se não concordava com as regras do plantão.









