O mês de dezembro não foi nada fácil para uma família em especial. Após quatro meses do desaparecimento da estudante Bárbara Regina, 21 anos, que foi dada como morta por testemunhas, a família passou triste o natal e a virada do ano, continua sem informações do caso e dispara contra as autoridades responsáveis pela investigação.
Como se não bastasse o período festivo, que une famílias em todo o mundo, o mês de dezembro ainda reservava o aniversário da jovem Bárbara, que estaria completando 22 anos de idade no dia 19.
A família prefere não comentar sobre o caso, devido a carga emocional, de sofrimento que acarreta, mas, a tia de Bárbara, Rosângela leite, que acompanha o caso desde o início, comentou o final de ano família.
“Natal nós passamos juntos. Foi uma forma de manter a chama acesa, a esperança e o respeito pela minha sobrinha. Sem festa e com muita tristeza. Na virada do ano, a mãe dela foi para o interior e nós ficamos aqui, apenas fizemos a ceia, a oração e depois cada um seguiu o seu rumo. É impossível comemorar alguma coisa com essa tristeza dentro do coração”, disse.
Segundo Rosângela, a mãe de Bárbara Regina, Valéria Leite, apesar de acreditar na justiça, não tem mais procurado informações, dependendo das notícias passadas por outros familiares e pela própria imprensa. A falta de notícias é outra angustia com que a família tem de lidar. Desde o dia 1º de setembro, data do desaparecimento da jovem, família e polícia não se entendem quanto as informações do andamento do caso.
Meses após o desaparecimento, o caso que está na 8ª Vara Criminal da Capital, foi dado como concluso. No entanto, o laudo pericial que encontrou sangue num veículo que possivelmente transportou Bárbara, não foi divulgado e principalmente, o acusado de matar a jovem, Otávio Cardoso, não foi encontrado pela Polícia Civil.
“A polícia nem atende mais as nossas ligações. A informação que recebemos é de amigos e até desconhecidos que ligam para passar informações das andanças do acusado.
Já soube que ele esteve no interior de São Paulo, Foz do Iguaçu, Santa Catarina onde curtiu a “Oktober Fest” e até em Recife, sem falar que muita gente divulgou inclusive, que ele ronda cidades alagoanas. No início das investigações falaram que era um empresário, mas que não tinha muitas condições. Então, me parece que alguém banca esse passeio dele pelo país, só pode”, disse.
Ao mesmo tempo em que não irão buscar contato com as autoridades alagoanas, a família busca, através da Secretaria Nacional de Segurança, Regina Miki, um contato com a presidente da república, Dilma Rousseff, para dar a importância necessária ao caso e fazem um desabafo.
“Infelizmente as nossas autoridades não resolvem nada. Tentamos de tudo e não fomos ouvidos. Tentaremos contato com a presidente, se isso não acontecer, só Deus resolve esse desaparecimento da minha sobrinha. Mas, diante de tudo, tenho uma certeza. Se ela fosse filha de um governador, prefeito, um político conhecido, delegado, o acusado já estaria preso. Mas, como somos pobres, temos de nos conformar com isso”, encerrou o desabafo.

O CASO
No dia 1º de setembro de 2012, a estudante Bárbara Regiona aproveitava mais uma noite da capital alagoana e deixou uma boate no bairro da Ponta Verde em companhia de Otávio Cardoso, informação comprovada pela própria Polícia Civil que divulgou vídeos do acusado.
A partir deste data, começou o sofrimento da família, que acompanhava o tempo passar, testemunhas prestarem depoimentos, uma delas confirmando que a jovem teria sido enforcada antes de ser morta e até os dias de hoje não teve o seu corpo encontrado.
O acusado, Otávio Cardoso continua foragido, passando por várias cidades alagoanas e do resto do país. Durante as investigações, a família, que estava em atrito com a Polícia Civil, pela falta de informações, principalmente com o delegado Antônio Nunes, recorreu à cúpula de Segurança do Estado, em reuniões com o secretário Dário César.
Neste mesmo período, um carro que pode ter sido usado para transportar a jovem foi apreendido, com sinais de sangue que poderia ser de Bárbara, porém, o resultado ainda não foi concluído.
Nem a participação do perito criminalista George Sanguinetti ajudou a família a obter novas informações sobre o caso. Que foi dado como concluso pela justiça e só deve ter novidades quando o laudo do veículo for divulgado ou o acusado ser preso.











