A recuperação de delegacias no interior do estado é um dos projetos que serão desenvolvidos pela Polícia Civil no próximo ano. Em entrevista ao CadaMinuto, o delegado Paulo Cerqueira, há seis meses à frente da direção-geral da PC em Alagoas, destacou a integração entre os servidores do órgão para realização de um trabalho conjunto positivo.

Segundo Cerqueira, a composição da nova cúpula ajudou para evitar o surgimento de “grupos isolados” dentro da PC. “Todos os profissionais da Polícia Civil estão unidos, voltados especificamente para o trabalho policial”, destacou o delegado geral.

A entrevista foi feita antes da explosão acontecida na sede do DEIC

CadaMinuto - Durante estes seis meses na direção geral da Polícia Civil quais os pontos positivos e os negativos que o senhor destacaria da sua gestão?

Paulo Cerqueira - Inicialmente como positivo, destaco a grande integração realizada entre os profissionais da instituição, deixando de lado ranhuras do passado por grupos, e todos pensando conjuntamente na instituição Polícia Civil. E ainda, levar a estrutura da Polícia Civil, que antes só era disponível na capital, às diversas delegacias regionais e municipais do interior, o equilíbrio financeiro, a mudança do prédio da Delegacia de Homicídios, as diversas licitações realizadas para aquisição de equipamentos, a exemplo de munições, a criação de um setor de Planejamento e Projetos, a locação de 57 veículos destinados às diversas delegacias do Estado, sendo duas viaturas caminhonetas para o TIGRE, vinculado à DEIC, a realização de Concurso Público, para provimento de cargos na instituição e a realização de cursos voltados exclusivamente para o trabalho de investigação policial. Os pontos negativos da Polícia Civil, poderíamos citar a necessidade de recuperarmos algumas delegacias. Em relação a isso, já estamos planejando para no próximo ano, melhorias estruturais nos prédios e, onde não for possível, locaremos prédios para o funcionamento das delegacias. Mas, com certeza, os pontos positivos superam, e muito, os pontos negativos.

 CM - A composição da nova cúpula da Polícia Civil foi questionada por algumas pessoas já que alguns integrantes respondem a processos na Justiça. Quais os critérios que o senhor usou para escolher sua equipe?

PC - O critério de escolha da nova Cúpula da Polícia Civil foi colocar delegados com bastante experiência na atividade fim e que tivessem representação dentro da Instituição. Assim, procuramos integrar a Polícia Civil, criando um só grupo dentro da instituição. Evitando o surgimento de grupos isolados, todos os profissionais da Polícia Civil estão unidos, voltados especificamente para o trabalho policial.

CM - O número de policiais civis, mesmo com o concurso público, é considerado baixo para completar o efetivo. Quais medidas a PC esta tomando para suprir esse número?

PC - O número de policiais civis com a conclusão do concurso público será satisfatório para a realização do trabalho policial. Além disso, ainda tomaremos outras medidas que contribuirão como o bom desempenho das atividades policiais, a exemplo da integração de unidades policiais, com número de delegados, escrivães e agentes compatível com a criminalidade corrente naquela área, como também, pretendemos criar equipes plantonistas e equipes voltadas apenas para a investigação.

CM - As delegacias distritais estão trabalhando pouco o serviço investigativo devido à falta de agentes, sobrecarregando as delegacias especializadas. Como equacionar esse problema?

PC - A solução virá com a criação de equipes plantonistas, que farão apenas os flagrantes. Outras equipes ficarão encarregadas somente da investigação. Assim, os distritos com maior criminalidade poderão dedicar-se mais ao trabalho investigativo.


CM - Como está a relação da direção-geral com o sindicato dos policiais civis?

PC - O Sindicato dos Policiais Civis é nosso parceiro, mantemos um estreito relacionamento com toda a Diretoria do Sindpol. Como exemplo dessa parceria podemos citar a recente conquista do reajuste do salário dos agentes e escrivães, que já foi sancionado pelo Governador do Estado. Também há um estreito relacionamento com a Associação dos Delegados.

CM - Como anda o projeto de que cada policial civil irá receber uma arma? Quando se tornará realidade?

PC - Está em andamento, e inicialmente cada chefe de operações policiais já tem uma arma e um colete acautelados. No início de 2013, temos um projeto para aquisição de mais armas de fogo e a nossa meta será que, cada policial civil tenha uma arma e um colete, até 31 de dezembro de 2013.

CM - Houve informações de que haverá a descentralização da Central de Polícia? Vai ocorrer e por quê?

PC - Ainda não haverá descentralização da Central de Polícia da Capital, ela apenas será transferida para um prédio na Avenida Fernandes Lima, que proporcionará um melhor acesso às pessoas, facilitado pelo corredor de transportes daquela avenida. Com a chegada dos novos policiais poderemos descentralizá-la, caso as ocorrências criminais apontem para esta necessidade.


CM - O Conselho Estadual de Segurança sugeriu que todos os flagrantes realizados pela Polícia Civil fossem filmados, inclusive houve uma simulação de como funcionaria. Isso irá ocorre?

PC - Não podemos ainda definir o dia exato, mas a partir do próximo ano, os flagrantes da Polícia Civil serão filmados e, inclusive, a pretensão é que ele já saia relatado e pronto para ser encaminhado ao Ministério Púbico e ao Poder Judiciário, visando mais eficiência e rapidez no futuro processo judicial.