As condições irregulares de armazenamento de materiais explosivos na sede da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic) foram comunicadas - por meio de ofícios - à direção da Polícia Civil e a secretaria de Estado de Defesa Social. A informação é do presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), Josimar Melo.
De acordo com Melo, a explosão na sede do Deic ressalta as péssimas condições que os agentes da Polícia Civil são obrigados a trabalhar em várias delegacias espalhadas em todo o estado. “Sabíamos, extra-oficialmente, que os materiais eram armazenados de forma amadora. Um agente responsável pelo local comunicou à PC e à SEDS sobre as condições. Porém, infelizmente, nada foi feito”, pontuou.
Para o presidente do Sindpol o momento de tragédia deve servir, também, para o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) reavaliar o modelo de gestão oferecido, especialmente, aos agentes da Polícia Civil do Estado.
“Atualmente, trabalhamos em delegacias que não oferecem a mínima segurança tanto para os policiais quanto para os presos. As estruturas físicas de grande parte das delegacias são insalubres. A explosão na sede da Deic faz coro ao nosso pensamento. Chegou a hora de mudar esse pensamento”, expôs.
Numa nota encaminhada à imprensa, o Sindpol disse que m média, 50 policiais civis circulam na Deic, diariamente, e existiam mais de 100 quilos de explosivos no local sem nenhuma devida precaução.
A explosão de grandes proporções, registrada no começo da noite desta quinta-feira (20), causou pânico e correria entre pedestres, comerciantes e moradores da região do bairro do Farol. Residências próximas ao prédio tiveram suas estruturas danificadas. No prédio da Deic apenas a fachada ficou intacta. Carros de servidores e viaturas da Instituição foram completamente danificadas. A agente Maria Amélia Dantas entrou em óbito e outros quatro colegas ficaram feridos.
Veja a nota encaminhada à imprensa onde Sindpol responsabiliza Governo do Estado pela morte da policial sindicalista
O Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) vem a público manifestar sua indignação com o descaso das condições de trabalho na Polícia Civil, que vitimou a sua Delegada Sindical e policial civil Maria Amélia Dantas, na última quinta-feira (20).
Amélia Dantas estava no plantão na Divisão de Investigação e Capturas (Deic) da Polícia Civil de Alagoas, executando suas funções policiais, quando houve a explosão de artefatos, que a vitimou. A policial era uma das profissionais mais qualificada da Polícia Civil, possuía curso superior em Serviço Social e tinha vários cursos promovidos pela instituição policial e pela Secretaria Nacional Segurança Pública (Senasp). Era uma policial competente e preparada.
De forma inadequada e por improviso, uma sala da delegacia da Deic estava sendo utilizada para guardar dinamites e explosivos, recolhidos nas apreensões de artefatos usados nos assaltos à banco. No entanto, a Divisão não possuía nenhuma condição física e estrutural de armazenamento de materiais dessa natureza.
O descaso tirou a vida de uma profissional e sindicalista atuante. Amélia Dantas sempre esteve presente em todas as atividades de luta dos policiais. Participou da luta pela aprovação do novo piso salarial dos policiais. Marcou presença nas mobilizações pela implantação do Plano de Cargos, Carreira e Subsídios. A policial civil, que juntamente com a diretoria do Sindpol, vinha registrando e denunciando as condições insalubres das delegacias do interior de Alagoas, foi vítima fatal das precárias condições de trabalho.
A morte da sindicalista é mais uma sentida por todos os policiais civis, amigos, familiares e população, e é uma das piores tragédias já registrada na Polícia Civil de Alagoas, que não somente colocou em risco a vida dos profissionais de segurança pública, mas de toda a população alagoana.
Em média, 50 policiais civis circulam na Deic, diariamente, e existiam mais de 100 quilos de explosivos no local sem nenhuma devida precaução. O Sindpol cobra apuração do ocorrido e responsabiliza o Governo do Estado pelo descaso, pelo sentimento de insegurança e pelas precárias condições de trabalho nos serviços públicos alagoanos.
Além do perigo constante da morte que esses profissionais estão sujeitos por combater a criminalidade em Alagoas, eles também sofrem com o sucateamento da Polícia Civil.
A diretoria
