O Brasil é o único país na América Latina onde o jogo de azar é proibido. Mas o Brasil também é o único país na América Latina onde mais se joga os jogos de azar.

Entenderam?

Nem eu. No Brasil é proibido os cassinos, sob a alegação de que vicia, mas eles existem. De vez em quando a polícia aparece, dá um bote, leva “algum” e tudo volta à normalidade.

Temos a Loteria Federal, a Loteria Estadual, a Mega-Sena, a Super-Sena, a Timemania, a Lotomania, a Lotofácil, a Quina e as raspadinhas.

Mas, o jogo de azar é proibido. Lembrem-se disso.

Aí, quando aparece uma figura como o bicheiro Carlinhos Cachoeira baixa em nós brasileiros “o caboclo hipócrita” e a gente começa a destratar a figura.

É um fingimento de constranger.

Queríamos o quê, se o Brasil é um país de jogatina e mantém a jogatina proibida? Por que proibir se somos o país onde mais se joga os jogos de azar na América Latina?

Já sei.

É porque mantendo a proibição eles preservam o “caixa 2”, e aí todos ganham. E, para manter o “caixa 2” é necessário fazer o que o Carlinhos Cachoeira fez – senão, alguém vai ficar de fora do “rateio”, pois não haverá propina para todos.

Sinceramente, eu olho para o Carlinhos Cachoeira e não vejo o contraventor perigoso que todos apontam.

Perigoso é quem mantém a hipocrisia em nome de uma moralidade que não tem e de uma preocupação social que também não tem.

O Carlinhos Cachoeira não fez nada que estivesse fora dessa ordem marginal – que, aliás, é mantida e ninguém se apresenta para mudá-la.