Dois policiais militares do 1º Batalhão foram detidos administrativamente, por 72 horas, para investigação de um crime ocorrido na capital alagoana na última terça-feira (27) envolvendo um morador de rua. A informação foi confirmada por meio de nota enviada à imprensa pela assessoria do Comando da Polícia Militar de Alagoas.
A versão apresentada pelos militares para a morte do morador de rua Genivaldo Quirino Alves, 30 anos, era de que a vítima teria reagido a uma abordagem policial realizada pela guarnição que fazia rondas na região do bairro do Jaraguá, em Maceió. Os detalhes repassados pela guarnição apontavam que o rapaz, que era pernambucano, reagiu à abordagem e tentou retirar a arma dos policiais, sendo atingido por um tiro de forma acidental.
A bala atingiu a cabeça de Genivaldo Quirino que, imediatamente, foi removido pela guarnição ao Hospital Geral do Estado (HGE), no Trapiche da Barra. Apesar do socorro, o pernambucano não resistiu aos ferimentos e veio a óbito.
No entanto, novos fatos fizeram o Comando adotar a postura de afastar os militares das ruas, a contar o período a partir desta quinta-feira (29), para uma averiguação aprofundada do caso, conforme preconiza regulamento próprio da PMAL, segundo a nota encaminhada à imprensa.
Isto porque, as informações da viúva da vítima apontam que ‘China’, como era conhecido, foi abordado pela guarnição numa praça do bairro e levado à força até o barraco onde residia, local onde teria sido supostamente executado.
Este é mais um caso de investigação contra policiais em Alagoas. A divulgação de um vídeo onde mostra policiais militares da Radiopatrulha flagrados agredindo populares durante uma abordagem ganhou repercussão nacional. Eles também foram afastados das ruas para a investigação.
Em nota, o Comando esclarece que os “oito policiais militares se apresentaram espontaneamente ao comando da Unidade onde fazem parte, assim que tiveram conhecimento da divulgação do vídeo. Desta forma, foram todos imediatamente afastados das suas atribuições operacionais concernentes ao policiamento ostensivo, sendo designados a partir de então para o serviço administrativo”.
O Comando acrescenta que, em ambos os casos, a Corregedoria Geral adotará o mesmo posicionamento relacionado à abertura do Processo Administrativo (PAD) e do Inquérito Policial Militar (IPM) de forma concomitante e independente.
“Salienta-se, entretanto, que em ambos os casos, serão oferecidos aos policiais militares o direito à ampla defesa e ao contraditório mediante o devido processo legal, onde na oportunidade, todas as partes serão ouvidas com vistas a se adotar as medidas mais justas possíveis dentro do Estado Democrático de Direito que ora vige em nossa Nação Brasileira”, diz a nota.
Ainda na nota, a Polícia Militar de Alagoas esclarece ser uma corporação com 180 anos de história, “alicerçada em seus pilares básicos, a hierarquia e a disciplina, alcançou ao longo dos anos o respeito e a confiança do povo alagoano, não admitindo ter seu nome maculado por conta de ações isoladas que não representam o comportamento de mais de 7.500 homens e mulheres que se esmeram e sacrificam diuturnamente em prol da paz e do bem estar de nossa sociedade”.
Com a redemocratização do Brasil, segundo a nota, o policial militar alagoano é formado e orientado com base nos princípios que norteiam a filosofia da polícia cidadã, que cumpre e faz cumprir o pacto social celebrado na forma da legislação vigente e nos consagrados princípios inalienáveis dos direitos humanos.
“Por fim, a Polícia Militar de Alagoas não coaduna com qualquer comportamento hostil adotado por parte do seu policial militar em desfavor do cidadão, o qual por certo, juramos defender”.
