A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Alagoas reuniu, na tarde desta quinta-feira (29), membros da imprensa para refutar as acusações e defender o direito à ampla defesa dos militares que foram filmados agredidos suspeitos durante uma abordagem de rotina no bairro Trapiche da Barra. As imagens ganharam repercussão nacional na última segunda-feira (26) e um procedimento administrativo foi aberto para apurar as denúncias.
Para o presidente da ACS, José Soares, é lamentável que representantes de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB/AL) estejam cerceando o direito à ampla de defesa. “Nossos homens não são meliantes como foi dito pela OAB. Eles são pais de famílias que estão nas ruas defendo o pão de cada dia e a sociedade. Os militares são submetidos a uma escala humilhante que sequer permite uma folga digna. Queremos respeito. O atual quadro da corporação trabalha com um déficit de 4 mil homens. Há problemas crônicos que a população não conhece. Só quem trabalha e convive diariamente sabe o quanto é complicado exercer a profissão nessas condições”, ponderou.
Soares informou que pela manhã conversou com o comandante do Batalhão de Rádio Patrulha Tenente-Coronel da PM Jairisson. Os oito militares acusados de agressão estão recolhidos no batalhão. “Há expectativa que todos os fatos sejam apurados. Esperamos que a sindicância seja conduzida de forma imparcial e que todos os militares sejam ouvidos. Não vamos crucificá-los. Há uma explicação lógica para toda essa situação, porém, não posso dar porque não estava lá”, expôs.
Com a ficha criminal em mãos de um dos homens que foi agredido, Soares engrossou a defesa dos militares e destacou que informações extraoficiais apontam que os suspeitos estariam envolvidos com o tráfico de drogas. “Como exemplo temos Renato Gomes Cardoso. Ele acusa a Polícia Militar de agressão, mas responde por vários crimes. Entre eles, tráfico de drogas e homicídio. É necessário que as verdadeiras respostas sejam dadas”, frisou.
De acordo com a assessoria da Polícia Militar, os militares foram afastados das ruas e, agora, realizam serviços administrativos. No vídeo, é possível observar que os suspeitos são agredidos apesar de não apresentar qualquer reação. A atuação dos policiais, que estão lotados no Batalhão de Radiopatrulha (BPRP), foi duramente criticada pelo Comandante da corporação, Dimas Cavalcante.
Uma sindicância foi instaurada pela Corregedoria para investigar todas as informações. Os nomes de todos os acusados, que são Praças, não foram divulgados. Por 30 dias, os membros que conduzem o procedimento administrativo farão diligências e os militares acusados poderão apresentar suas defesas. Esse período poder se estender caso haja solicitação.

