A Polícia Civil investiga se o tiro que matou a dona de casa Claudia Lago, de 33 anos, após ser baleada durante tiroteio entre criminosos e policiais militares, partiu da arma de um PM. As armas dos policiais já foram recolhidas e encaminhadas para a perícia. As informações são do delegado da 40ª DP (Honório Gurgel) Marcus Neves.

Segundo ele, só os laudos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e do Instituto Médico Legal (IML) podem confirmar os "fortes indícios" de que o tiro tenha partido da arma de um policial. Os resultados ficam prontos em 15 dias. E caso seja confirmado que o tiro foi disparado pelo PM, ele será indiciado por homicídio culposo.

"Com a documentação em mãos e com o detalhamento do caso, eu poderei concluir realmente de qual arma partiu o tiro que matou Claudia. Por enquanto, é somente uma possibilidade", explicou o delegado.

Mais cedo, Luciléia Lago de Souza, de 42 anos, irmã da vítima, contou por telefone ao G1 que a família vai processar o governo do estado.

"Nada foi por acaso, alguém tem que pagar por isso. Ela estava dentro de um posto de saúde com o filho. As pessoas lá disseram que os bandidos fizeram ela de escudo e que a polícia já chegou atirando”, disse Luciléia.

Ela foi atingida quando estava com o filho no Posto de Atendimento Médico (PAM), em Coelho Neto, no subúrbio do Rio de Janeiro. Cláudia levava o filho à unidade de saúde, quando ocorreu o tiroteio.

Segundo ela, os médicos disseram que Claudia foi atingida por arma de grosso calibre e nenhum dos criminosos estava com fuzil ou arma pesada. “As pessoas do posto disseram que os bandidos estavam com pistola. Quando os policiais chegaram ao hospital para onde levaram minha irmã, vi que um deles estava com um fuzil”, contou.

A vítima estava no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, no subúrbio da cidade, onde morreu. O enterro deve ser ainda nesta quarta, no Cemitério Jardim da Saudade. Segundo a secretaria, a coordenação do PAM de Coelho Neto informou que o filho de Claudia receberá atendimento psicológico.

Para a irmã da vítima, a tragédia só não foi maior porque a polícia não perseguiu o ônibus com as crianças. “Eles cercaram o posto procurando o outro bandido, só que ele já tinha conseguido fugir e ninguém sabia. A tragédia só não foi maior porque o motorista conseguiu deixar o criminoso na favela. Se a polícia tivesse ido atrás, teria sido pior”, completou.

De acordo com Luciléia, uma das maiores dificuldades vai ser dar a notícia ao pai, que chega na manhã desta quarta-feira de Maricá. "Ele tem 77 anos e só sabe que a filha levou um tiro. Estamos preocupadas com o estado de saúde dele, pois ele já sofreu um derrame”, relatou a irmã de Claudia, que acrescentou também que está preocupada com o sobrinho de 10 anos.

“Destruíram uma família. Agora vamos dar todo o nosso amor para o nosso sobrinho, que perdeu a mãe numa situação dessa", concluiu Luciléia Lago.

A Polícia Militar abriu um inquérito paralelo à investigação da Polícia Civil para investigar o caso.

Assaltantes em fuga
 

Trajeto do crime
Segundo a Polícia Militar, tudo começou na Avenida Pastor Martin Luther King, antiga Automóvel Clube, quando uma equipe da PM tentou interceptar a dupla de criminosos, que estava em um Gol.

Os criminosos tentaram escapar invadindo o PAM, em Coelho Neto. De acordo com a PM, o local foi cercado e houve troca de tiros. A polícia diz que Cláudia Lago foi baleada na barriga pelos assaltantes.

Após a confusão, o outro assaltante invadiu o ônibus de excursão que saía do Colégio Interativo, vizinho ao PAM, e obrigou o motorista a levá-lo ao Morro da Pedreira, onde fugiu e liberou os reféns. O carro dos criminosos ficou próximo ao PAM com várias marcas de tiros.

Motorista lembra de momentos de pânico