“Infelizmente é a justiça do nosso país”. Essa é a declaração do vereador no município de Anadia, Dimas Almeida (PPS) sobre a demora para o julgamento dos acusados na morte do vereador Luiz Ferreira. Nesta segunda-feira (03), o crime que chocou a população e mudou o cenário político na região completa um ano.

Mesmo com o andamento das investigações e as fases de instruções concluídas, o caso ainda não foi levado a julgamento.

Segundo Almeida, amigos e familiares estão decepcionados com a demora do julgamento. “A Polícia concluiu a sua parte e a Justiça está demorando a julgá-los”, afirmou.

“É por justiça que clamamos nesse ano de ausência. Há quem aposte na impunidade e no esquecimento, mas nós apostamos na justiça. Sabemos que ela não nos trará alento ao coração, mas nos dará alento como cidadãos”, disse a viúva Rita Luiza de Pércia Namé, professora do curso de música da Ufal.

O caso

O vereador e médico Luiz Ferreira de Souza foi executado a tiros na tarde de sábado do dia 03 de setembro de 2011, quando retornava de uma entrevista a uma rádio local, nas imediações do Povoado Tapera, a cerca de três quilômetros de Anadia. Luiz Fernando, que era médico renomado na região, foi morto dentro do próprio veículo, o Siena de placa MVC 7671/AL.

Durante a entrevista, Ferreira anunciava sua candidatura a prefeito na cidade neste ano e o seu rompimento político com a então prefeita, Sânia Tereza, presa acusada de ser a mandante do crime. Perto de completar dois meses do assassinato, Sânia teve sua prisão decretada pela desembargadora Nelma Padilha, após o inquérito de a Polícia Civil concluir que ela foi a mandante do crime.

O esposo de Sânia, Alessander Ferreira Leal e o policial militar, Cláudio Magalhães, primo da acusada, foram presos também acusados de terem participação pela 17ª Vara Criminal da Capital. Além do trio, mais três pessoas identificadas como Ewerton Santos Almeida, vulgo Cruel, Tiago dos Santos Campos e Adailton Ferreira também foram presos acusados de serem os autores materiais.

Dos envolvidos, apenas o militar Cláudio Magalhães conseguiu a liberdade em maio deste ano após a uma audiência de instrução. Durante a mesma audiência, Ewerton e Tiago confessaram suas participações no crime a mando de uma terceira pessoa. O nome deste suposto envolvido nunca foi revelado pela justiça.

A defesa da ex-prefeita sempre garantiu a inocência da acusado afirmando que ela está sendo vítima de uma armação política. Em dezembro de 2011, já afastada da prefeitura, Sânia teve o mandato cassado por 6X2, acusada de ter desviado R$ 7 milhões da prefeitura.

No último sábado (01), familiares e amigos estiveram reunidos na capela Recanto Coração de Jesus, no Barro Duro, em uma celebração de um ano de memória do vereador. A celebração foi uma homenagem dos familiares de Ferreira, Associação dos Docentes da Ufal (Adufal) e o Programa Ufal em Defesa da Vida.