A organização de uma quadrilha especializada em roubos de cargas de luxo chamou a atenção da Polícia Civil de Alagoas. O grupo terceirizava criminosos para interceptar os caminhões nas rodovias em todo o Nordeste e contava com o apoio de um contador para o controle das finanças. Três acusados foram presos ontem (28), na cidade de Arapiraca, onde a quadrilha mantinha lojas com os produtos roubados. A operação foi nomeada como “Angoera”.
O líder, Josenildo Balbino de Oliveira, 46, se utilizava de nome falso João Victor Amorim para abrir firmas e “legalizar” o roubo. Além de Alagoas, o grupo agia nos estados de Pernambuco, Sergipe, Bahia e Paraíba. O filho de Josenildo, Caio Vitor Amorim de Oliveira, 23, e uma mulher identificada como Joelma Maria Oliveira Melo, 23, também foram presos.

A diretora da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), delegada Ana Luiza Nogueira, classificou a quadrilha como uma Organização Criminosa (Orcrim). Segundo ela, durante a abordagem os criminosos agiam com violência com as vítimas. Porém, o líder da quadrilha afirmou à imprensa que existia uma “combinação” com os motoristas de caminhões, que informavam a rota por onde eles iriam passar. “Eles passavam as informações e nós repartíamos o lucro da carga”, disse Oliveira.
No local da prisão foram apreendidos três veículos, um Santa Fé, Golf e um Gol, além de produtos, notas ficais e uma quantia de R$ 350 mil, em cheque. De acordo com a delegada, a quadrilha roubava os produtos de luxo e os vendiam com notas ficais. Ainda segundo ela, muitos dos produtos eram repassados para lojas e empresas, que serão investigadas para saber se tinham ligação com os roubos.
Ana Luiza afirmou que as empresas lesadas estimam um prejuízo de mais de R$ 50 milhões, em todo o Nordeste. “Só na empresa de serviço Rapidão Cometa em Alagoas eles calculam um prejuízo de R$ 20 milhões”, completou. Outros dois envolvidos identificados como Carlos Alberto Queiroz, 52, e Carlos Bruno Queiroz, 28, estão sendo procurados pela Polícia.



