Há oito meses, o reeducando Jackson Willams Felix Gomes da Silva, 19, se encontra no Sistema Prisional aguardando julgamento. Ele é réu confesso no assassinato e ocultação de cadáver do seu pai, o músico Antônio Jorge, crime ocorrido em fevereiro de 2011.Na tarde desta terça-feira (03), agentes do Sistema Prisional o levaram para a Central de Polícia após encontrar – durante revista de rotina – um tablet em sua cela. No primeiro momento, o reeducando não quis dar nenhum tipo de declaração, mas diante da insistência da imprensa Jackson relatou, com microfones e câmeras desligados, os fatos que motivaram o assassinato de seu pai.

Segundo ele, desde os 4 anos de idade, a vítima o agredia quase que diariamente e as ameaças frequentes a sua mãe tornaram a residência familiar um lugar problemático.“Nunca tomei um gole de cerveja ou usei qualquer tipo de droga. Meu pai também não usava nenhum produto que alterasse a consciência. No entanto, ele sempre foi agressivo. Todos os meus vizinhos sabem disso. Certa vez, ele chegou a jogar gasolina em meu corpo e ameaçou atear fogo ”, lembrou o acusado.

Ainda segundo ele, toda adolescência foi marcada por estudo e trabalho. “Eu não parava em nenhum momento. Sempre tinha algo a fazer. Desde o curso de Inglês ou até buscar minha irmã no colégio. Apesar de todo esforço, meu pai nunca reconheceu e sempre criava problema e muita confusão. Eu cheguei até apanhar de facão. Todo mundo na rua sabe dessas histórias”, frisou.

Ao ser questionado sobre o que aconteceu no dia do assassinato, Jackson Willams relatou emocionado os momentos que antecederam o crime. De acordo com o relato, o músico chegou em casa após uma tentativa frustrada de assassinar dois homens que o deviam dinheiro. “Tem muita coisa que não posso relatar. É muito complicado! Mas, nesse dia em especial ele chegou da rua e foi tomar um banho reclamando de tudo. Depois de alguns minutos, ele saiu pelado pela casa e gritou que eu ia tomar conhecimento de com quantos paus se faz uma canoa. Diante disso, eu fiquei muito aperreado e com medo e acabei pegando a arma dele. Lembro que efeituei dois disparos, mas não sei se os atingiram. Em seguida, escondi o corpo dele sozinho, não teve a participação de ninguém”, assegurou o reeducando.

Ao final da entrevista, Willams garantiu que está arrependido e que pensa diariamente no que fez. “Hoje encontro no Sistema a oportunidade de aprender novas profissões. Não tenha a dúvida que estou arrependido. Não sou isso que estão dizendo aí fora”, garantiu.