A cadeia produtiva da floricultura no Brasil vem apresentando um crescimento contínuo de 15% ao ano, movimentando R$ 3,8 bilhões. Em Alagoas, o aumento da produção e da comercialização de flores e folhagens tropicais impulsionam os números de exportação e colocam o Estado em evidência no ranking mundial do setor, vendendo de 40 a 50 mil hastes por mês.

 

A prática da floricultura em Alagoas é caracterizada pela produção e comercialização das flores tropicais vindas de propriedades rurais localizadas nos municípios de Rio Largo, Marechal Deodoro, Pilar, Santa Luzia do Norte, Atalaia, Viçosa, Pindoba, Murici, Matriz de Camaragibe, Novo Lino, Arapiraca e Maceió.

 

Além do solo e do clima privilegiado do Estado, o aquecimento da economia, elevação do poder de compra e do nível de renda dos consumidores, o crescimento das vendas nos supermercados e a modernização da logística são destaques que também contribuem para o bom desempenho do setor.

 

Esse fortalecimento é o resultado das ações da Cooperativa dos Produtores e Exportadores de Plantas, Flores e Folhagens Tropicais de Alagoas (Comflora), criada por um grupo de 30 produtores em 2002. As ações, voltadas para esta Cadeia Produtiva, são mais uma parceria entre o setor privado, o Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande), e o Sebrae Alagoas.

 

Pioneira nacional na organização do setor, a Comflora foi criada inicialmente com o intuito de comercializar flores para países da Europa. Segundo a presidente da cooperativa, Jussara Moreira, a iniciativa foi para suprir as demandas e estruturar a comercialização. “Foi necessário ampliar a produção para poder atender a demanda que, no momento, era em maior escala no exterior”, disse.

 

Para Jussara Moreira, a criação da cooperativa facilitou a inclusão dos produtores no mercado, colaborando para a comercialização dos produtos. “Um dos grandes problemas que a gente tinha era a venda das flores, porque produzir é fácil, mas comercializar o que produzimos não. E foi após a criação da cooperativa que facilitamos a comercialização para o mercado nacional e, principalmente, internacional”, afirmou.

 

A Comflora proporciona para seus cooperados, cursos e capacitações, em parceria com a Seplande e o Sebrae/AL, visando melhorar a qualidade dos produtos e gestão dos negócios. “Os empresários foram capacitados, por exemplo, para aprender técnicas de variedade de flores, adubação, produção de mudas e controles de pragas”, detalhou Jussara Moreira.

 

Padrão

 

De acordo com a presidente da Comflora, foram essas capacitações que fizeram com que o produto alagoano tivesse um diferencial e ganhasse destaque nacional e internacional. “O produto alagoano passou a ser referencial para os demais Estados a ponto de ser considerado o padrão nacional de qualidade”, destacou.

 

O padrão de qualidade fez crescer ainda mais o mercado, dentro e fora do país. As flores tropicais de Alagoas são vendidas para países europeus, dentre eles: Holanda, França, Portugal e Suíça.

 

Apesar das vendas internacionais terem sido o motivo para a criação da cooperativa, Jussara Moreira afirma que, após a crise mundial, as demandas nacionais superaram em número as exportações. “Recentemente, os maiores compradores das flores alagoanas se encontram no eixo centro-sul do país, com concentração maior em São Paulo e Minas Gerais”, contou.

 

Para aumentar os clientes internos, a Comflora passou a desenvolver o projeto Assinatura de Flores que, por meio de um contrato mensal, começou a fornecer flores para hotéis, restaurantes e lojas diariamente. “Essa ideia veio para atrair um maior número de compradores internos, o que hoje já representa 40% do nosso mercado”, explicou.