O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, questionou o diálogo com os talibãs para alcançar a paz e afirmou que desde agora centrará seus esforços em negociar com o Paquistão, onde se acredita que está escondida a cúpula insurgente. "Não sabemos onde está o conselho talibã. Onde está? Alguém vem em seu nome e mata, e eles nem confirmam nem negam. Não podemos falar com ninguém mais que com o Paquistão", afirmou Karzai, em declarações transmitidas neste sábado pela emissora afegã Tolo TV.

Karzai era o principal fomentador de um processo de diálogo com os insurgentes iniciado em 2010 e que ficou estremecido com o assassinato, em setembro, em ataque de um suposto talibã, do presidente do Conselho de Paz afegão, Burhanuddin Rabbani. Karzai participou na sexta-feira de um encontro com os dirigentes do Conselho de Ulemás do Afeganistão e aproveitou para reivindicar o direito dos afegãos a viver em uma atmosfera de paz e a desfrutar de um país próspero. "A única solução, e que também é uma reivindicação dos afegãos, é que mantenhamos conversas com o Paquistão, porque todos os refúgios e bases de nossos oponentes estão nesse país", manteve Karzai, de acordo com um comunicado emitido por seu escritório.

Apesar das acusações, em nenhum momento os talibãs assumiram o assassinato de Rabbani, morto em um ataque suicida de um terrorista que disse levar consigo uma mensagem "positiva para a paz" proveniente do Conselho de Quetta, o órgão de direção dos insurgentes. Sua morte levantou imediatamente vozes contra o processo de diálogo com os insurgentes, e nesta quarta-feira Karzai convocou os principais políticos do país para analisar o processo de paz e a relação estratégica entre seu país e os Estados Unidos.