O Congresso americano bloqueou cerca de US$ 200 milhões em ajuda aos palestinos, ameaçando projetos relacionados a alimentação, saúde e à construção de um Estado funcional, informou neste sábado o jornal britânico "Independent".
A decisão de atrasar os pagamentos contraria o desejo do governo de Barack Obama e reflete a revolta do Congresso com a busca do reconhecimento de um Estado palestino feito por Mahmoud Abbas na ONU. Os palestinos classificaram a medida como uma punição coletiva.
Os fundos deveriam ter sido enviados até o fechamento do ano fiscal americano, que ocorre neste sábado. Seu congelamento é a evidência mais tangível até agora de que é séria a ameaça feita pelos líderes do Congresso, e que poderia suspender uma parcela ainda maior no próximo ano se Abbas persistir em sua demanda na ONU.
Segundo o Independent, tem havido pressões dentro do Congresso para que sejam suspensos até US$ 600 milhões - a ajuda média anual dada pelos EUA a Cisjordânia e à Faixa de Gaza desde 2008. Assim como o Congresso, o governo se opõe ao pedido da Palestina para ser considerada membro pleno na ONU, apresentado por Abbas no mês passado.
Mas a Casa Branca argumenta que a ajuda ao povo palestino é o que um funcionário do governo descreveu como "parte essencial do compromisso dos EUA para um futuro seguro e uma 'solução dois Estados'".
O ex-presidente Bill Clinton, entre outros, advertiu legisladores a deixarem a questão para a Casa Branca, acrescentando:
- Todo mundo sabe que o Congresso americano é o parlamento mais pró-Israel do mundo. Os congressistas não precisam provar isso.