A Colômbia precisa solucionar o seu conflito agrário para alcançar a paz, segundo um relatório da ONU que recomenda ao governo medidas para que as terras fiquem em poder do setor produtivo, e não nas mãos de guerrilheiros e narcotraficantes.

Uma guerra civil assola a Colômbia há quase 50 anos, com a participação de guerrilhas esquerdistas que dizem lutar pela reforma agrária e contra a pobreza e as desigualdades sociais. "A obtenção da paz na Colômbia passa pela solução dos conflitos fundiários", disse o estudo intitulado "Colômbia Rural, Razões para a Esperança", publicado pelo Programa da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud, na sigla em inglês).

O texto entregue ao presidente Juan Manuel Santos alerta, no entanto, que a solução dos conflitos fundiários são uma "condição necessária, mas não suficiente" para a paz. Segundo o estudo, 52% das terras do país são latifúndios em poder de apenas 1,15% dos proprietários rurais, enquanto os demais possuem apenas propriedades pequenas e médias.

De acordo com o Pnud, a Colômbia é um dos países com maior desigualdade fundiária no mundo. A entidade disse que há 6,5 milhões de hectares abandonados ou destruídos por causa do conflito, e que está evidente que quadrilhas de traficantes têm adquirido terras para ampliar seu poderio.

A pesquisa, realizada ao longo de dois anos, mostrou que 32% dos 46 milhões de colombianos vivem em zonas rurais, mas que apenas 4,9 milhões dos 21,5 milhões de hectares cultiváveis estão efetivamente ocupados por lavouras. Isso explica a crescente importação de alimentos no país.

Já a pecuária utiliza 39,2 milhões de hectares, quando o ideal seria que ocupasse 21 milhões. O texto também chama a atenção para o fato de que a mineração ocupa mais terras que a agricultura: 5,8 milhões de hectares. Os investimentos para o setor de minérios, gás e petróleo são um dos trunfos do governo para manter um crescimento econômico sustentável, de pelo menos 5% ao ano.

O estudo recomenda ao governo que imponha impostos elevados sobre a propriedade fundiária, para desestimular a concentração de terras e onerar os terrenos improdutivos. O Pnud destacou os esforços de Santos para devolver terras a camponeses desabrigados por paramilitares e guerrilheiros, mas advertiu que é necessário mais empenho.

"Os passos dados recentemente com o reconhecimento das vítimas e o esforço por restituir as terras são de um valor incalculável, mas apenas representam uma gota de suor frente ao esforço necessário", disse Bruno Moro, representante do Pnud no país.