Brasília – Acompanho daqui o desenrolar do covarde acontecimento, que foi o assassinato do vereador de Anadia, e médico, Luiz Ferreira, e surpreendo-me com os desencontros de informações sobre o falecido no que se refere a posição dele como vereador.

A prefeita Sânia Tereza diz que era aliado, amigo, e que teria o seu apoio para disputar a prefeitura.

E o presidente do PPS, Régis Cavalcante, nega tudo sustentando o contrário; o vereador assassinado era na verdade adversário da prefeita e daria a sexta e fatal assinatura para afastá-la do cargo por irregularidade.

Diz mais; diz que o vereador procurou o partido para antecipar que, sob hipótese alguma, ele aceitaria o apoio da prefeita.

A prefeita Sânia Tereza, num primeiro momento, tentou desqualificar o crime negando a conotação política e depois voltou atrás com uma explicação ainda mais sem consistência.

A prefeita se queixa da imprensa por fazer ilações sobre a autoria intelectual do crime, mas ela mesma tem assumido posições que só servem para alimentar as insinuações.

Por exemplo: não é a prefeita quem deve pedir pressa à polícia na investigação do crime; quem deve apressar a polícia é a família da vítima, e esta não se manifestou. Aliás, a posição da família da vítima se aproxima da posição do presidente do PPS, Régis Cavalcante.

Régis tomou o cuidado de observar que não estava acusando ninguém, mas apenas desmentindo a versão que não condiz com a verdade no que se refere a relação do vereador assassinado com o Executivo municipal.

Ou seja: não havia entre eles nenhuma amizade nem consideração; o vereador assassinado era da oposição e então por que dizer agora o contrário?

Pelo que se tem dito, então mataram o futuro prefeito de Anadia. Se for assim, trata-se de uma morte inevitável que foi antecipada porque matá-lo no ano eleitoral era arriscado demais.

Era arriscado porque a suspeita se tornaria mais evidente.

Então, já que a vítima insistia na candidatura, a sentença foi antecipada. Mas, gente, será que foi isso mesmo o que aconteceu?

Se foi, então a polícia, o Ministério Público e a Justiça devem dar à sociedade uma resposta que seja capaz de devolver o respeito à lei e, sobretudo, que confirme a máxima segundo a qual o crime não compensa.

Porque se for diferente, ou seja, sem essa resposta reparadora, a disputa política em Alagoas vai voltar à época de quando se conquistava o voto com o trabuco.