O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, prestou juramento à primeira comissão contra corrupção do país, criada como resultado da formação do Governo de coalizão em 2009, informou nesta sexta-feira o jornal estatal The Herald.

A comissão, primeira do tipo no Zimbábue, onde a longa crise econômica provocou o aumento da corrupção, é integrada por nove membros e inclui advogados, clérigos e ex-policiais.

"A comissão prestou juramento diante do presidente Mugabe em sua residência", publicou o jornal, ao informar que o novo órgão perseguirá a corrupção, processará quem cometer a prática e garantirá a devolução do dinheiro público roubado.

Os críticos da comissão defendem que a instituição poderia se transformar em um órgão inútil se os a aliados de Mugabe não forem investigados, como os ministros do Governo Local, Ignatius Chombo, e de Minas, Obert Mpofu, que receberam grandes quantias de dinheiro em circunstâncias pouco claras.

A notícia foi publicada justamente no dia em que a polícia zimbabuana anunciou que 21 agentes foram suspensos por aceitar subornos, a maioria deles detectados em controles policiais.

Muitos analistas consideram que as instituições públicas do Zimbábue estão infestadas de corrupção pelos baixos salários dos funcionários, que ganham em torno de US$ 250 por mês, entre outros motivos.

O Zimbábue ocupou o posto 134 - de uma lista de 178 países - no índice de corrupção de 2010 elaborado pela organização Transparência Internacional.

Mugabe, que lidera a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), governou o país sozinho e de forma autoritária desde sua independência do Reino Unido, em 1980, até a aliança com o Movimento por Mudança Democrática do primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai, em 2009.