O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira em El Salvador que governou o Brasil "como uma mãe dirige sua casa". Ele afirmou que procurou dividir os bens entre todos e tratar os mais necessitados com "mais carinho".

O brasileiro acompanhou o presidente salvadorenho, Mauricio Funes, como convidado especial no lançamento do programa Territórios de Progresso, inspirado em "uma iniciativa surgida durante o último governo do presidente Lula, que recuperou e desenvolveu o potencial de mais de 80 territórios do Brasil", segundo comunicado da presidência salvadorenha.

"Eu não tenho um diploma universitário e dizia aos demais presidentes: não aprendi economia na universidade, mas aprendi a governar meu País como uma mãe dirige sua casa", afirmou o brasileiro, durante um ato público ao lado de Funes. O ex-presidente afirmou que "uma mãe pode ter 10 filhos, mas ela nunca permitirá que um deles tenha algo mais que outros, porque, se há um pedaço de carne, ela o divide entre os 10. Porém, se um desses filhos está mais necessitado, ela vai cuidar dele com mais carinho".

Lula também visitou nesta quinta-feira, ao lado da primeira-dama de El Salvador, a brasileira Vanda Pignato, um projeto que oferece serviços em saúde reprodutiva, atendimento psicológico a vítimas de violência, assessoria jurídica, capacitação profissional e apoio empresarial para mulheres.

O ex-mandatário brasileiro disse que os políticos tradicionais só se recordam dos mais necessitados na campanha eleitoral e que "se pudessem vender as ações dos pobres na Bolsa de Valores dois meses antes da eleição, seriam as ações mais rentáveis porque ninguém fala mal dos pobres nem dos trabalhadores".

Por fim, Lula elogiou o desempenho de Funes, o primeiro governante de esquerda do país centro-americano, e afirmou que "a história de El Salvador se dividirá em antes e depois de Mauricio". Funes, seguidor declarado de Lula e suas políticas, disse que, da mesma forma que este, não realizará cortes nos programas sociais em momentos de crise. "Optamos e seguiremos optando pelo contrário do que nos recomendam aqueles que governaram o país no passado, que, quando vinha a crise, apertavam o cinto dos mais pobres", afirmou.