Recentemente noticias veiculadas pelo jornal Valor Econômico e outros meios de comunicação especializados no setor de energia, todas citando “fontes anônimas” da Eletrobrás, da Agencia Nacional de Energia Elétrica e do Ministério de Minas e Energia afirmaram que existe a intenção de se privatizar as distribuidoras de energia do grupo Eletrobras. Coincidentemente essa informação apareceu justamente neste momento de defesa da renovação das concessões do setor elétrico. Não temos dúvidas que existem grandes interesses econômicos envolvidos em toda essa guerra de informações, por isso devemos ficar atentos/as e mobilizados/as em defesa das empresas de distribuição.

Nesta quinta-feira, dia 25 de agosto, os dirigentes sindicais da Intersindical Distribuição estiveram reunidos com o presidente das distribuidoras, Marcos Aurélio Madureira, e o diretor de administração, Luis Hiroshi. Diante das informações publicadas e das cobranças dos representantes sindicais os dois diretores foram enfáticos ao afirmar que não existe qualquer pretensão em privatizar as distribuidoras. “Não existe orientação da Eletrobras para privatizar, até porque estamos investindo muito nas distribuidoras e buscando resultados, caso houvesse essa intenção não faríamos isso”, afirmou o presidente Madureira.

A intersindical distribuição e a FNU (Federação Nacional dos Urbanitários) esperam que tudo não passe de boatos sem fundamentos, pois alertam para o perigo da privatização nessas empresas, e se repita o quadro que acompanhamos em praticamente todas as empresas que foram privatizadas, ou seja: Queda na qualidade dos serviços, lucros estratosféricos, tarifas abusivas, demissão em massa, forte terceirização e conseqüentemente aumento no número de acidentes fatais de trabalho.

Partimos do principio que o governo da Presidente Dilma tem o compromisso da continuidade do fortalecimento do setor elétrico iniciado pelo ex-presidente Lula, por isso apoiamos sua eleição. Assim sendo, não admitiremos qualquer tentativa de privatização das Distribuidoras de energia, pois estas possuem um papel fundamental para o crescimento econômico e social nas regiões Norte e Nordeste, qualquer retrocesso será repelido com muita luta dos sindicatos e de toda sociedade.

Sabemos que as empresas privadas não estão preocupadas em expandir o sistema de distribuição no Norte e Nordeste do país, seu interesse é o de apenas abocanhar o ganho fácil com o aumento de ligações nas capitais, deixando os municípios menores a sua própria sorte. Como um país que pretende cada vez mais garantir a ocupação e proteção de suas fronteiras poderá abrir mão de um ativo essencial a essa estratégia?

A Intersindical Distribuição espera que esta reportagem seja apenas fruto do “lobby” dos defensores da privataria, daqueles que sentem saudades do dinheiro fácil que vem junto com os processos de privatização. Confiamos no bom senso do governo e na sua preocupação em tornar o Grupo Eletrobras uma empresa forte e comprometida com o crescimento de nosso país.

Investimentos melhoraram o desempenho das distribuidoras

Ao longo dos últimos anos, o Grupo Eletrobras investiu quantias significativas nessas empresas e conseguiu trazer um pouco de dignidade aos seus trabalhadores/as e consumidores. Segundo dados do ultimo balanço da empresa a quantidade de energia elétrica fornecida aos consumidores finais de todas as empresas distribuidoras aumentou em 11,8% assim como houve um crescimento de 5% na base de clientes e de 3% no número de novas ligações.

As distribuidoras que obtiveram maior crescimento no fornecimento de energia elétrica no último ano foram a ED Piauí (17%), ED Rondônia (14,2%) e ED Acre (10,7%), todas impulsionadas pelo maior crescimento da classe residencial. Cabe ressaltar que, no caso da ED Piauí, houve um expressivo programa de regularização de consumidores. Já no caso da ED Rondônia, o crescimento está atrelado ao grande contingente populacional atraído pelas obras do complexo hidrelétrico do rio Madeira (usinas de Jirau e Santo Antônio).

De uma forma geral, no ano de 2010, as empresas de distribuição do Sistema Eletrobras apresentaram redução dos níveis percentuais de perdas sobre a energia injetada. Destacaram-se as empresas ELB Rondônia e ELB Piauí, as quais obtiveram reduções acima de dois pontos percentuais.

Em 2011, com os recursos financiados pelo Banco Mundial, o projeto de regularização que já esta em curso, será estendido para as demais empresas de distribuição. Envolvendo ações de cunho tecnológico e alicerçado em tele-medição de unidades consumidoras com grande representação no faturamento da empresa, esse projeto propiciará a redução das perdas e contribuirá para a blindagem de aproximadamente 64% da receita das empresas de distribuição.