A indústria voltada para os cassinos do Nepal, que foi uma das precursoras em todo o continente asiático, enfrenta sérias dificuldades devido às disputas políticas do país e a mão de ferro das autoridades nos últimos dois anos.

O jogo está oficialmente proibido para os nepaleses desde 1963, mas o auge do turismo durante décadas e a certa permissividade com a entrada aos locais permitiu a propagação de dezenas de estabelecimentos de jogos.

Contudo, o turismo diminuiu especialmente desde os conflitos de 2006 --que acabaram com a derrocada do monarca-- e, além disso, o governo instaurado em 2009 decidiu aplicar com rigor leis voltadas para os cassinos.

Como sinal da mudança de tendência, o Executivo revogou há dois meses a licença da empresa que administra quatro dos dez estabelecimentos do Nepal e que é majoritariamente propriedade de um cidadão indiano, Rakesh Wadhwa, atualmente em paradeiro desconhecido.

Entre os quatro cassinos afetados se encontra o mais antigo do país e possivelmente um dos primeiros da Ásia, inaugurado em 1966, que teve que fechar suas portas.

O motivo dado pelas autoridades foi a falta de pagamento do equivalente a US$ 4,7 milhões em cânones anuais, um dispêndio que está afogando muitos pontos de jogatina no país. Além dos impostos, cada cassino paga anualmente pela concessão de US$ 275 mil.

A lucrativa indústria do jogo no Nepal se viu imersa na batalha política desencadeada com a mudança de regime de 2008, quando os partidos democráticos assumiram o poder na recém proclamada República, que ainda não se consolidou.

O Partido Maoísta, um dos principais atores políticos do país, tomou partido na batalha pelo poder dentro da empresa NRC (Nepal Recreation Centre), a companhia de Rakesh Wadhwa e de seu então sócio, o americano R. D. Tuttle.

Segundo uma fonte no setor, Wadhwa buscou o apoio do grupo de antigos guerrilheiros para tomar o controle total de NRC e, em troca, ofereceu a eles postos de trabalho e o controle de um grupo de quase 7 mil pessoas. Outros partidos majoritários ficaram de fora da distribuição e, com a chegada ao governo em 2009, se vingaram e endureceram as condições para os gestores do jogo.

Além de mudar as políticas sobre o pagamento das concessões e da renovação de licenças, que agora deve ser anual, começou a ter frequentes batidas nos cassinos.

Apesar da lei, os nepaleses tinham até há pouco tempo entrada praticamente livre nos cassinos, como admitiu recentemente um policial diante de uma comissão parlamentar, onde reconheceu que estes estabelecimentos não poderiam sobreviver sem a clientela local.

O Executivo nepalês se defende das acusações de ser mão de ferro e se remete à aplicação da lei.

De acordo com um responsável governamental --que preferiu não revelar seu nome--, as normas estabelecem claramente a proibição de acesso aos cassinos para os nepaleses, já que alguns "venderiam tudo para jogar" caso liberassem a entrada para eles.

A maioria de clientes estrangeiros provém dos países vizinhos, especialmente indianos, "mas as batidas espantaram muitos deles", disse Kishor Silwal.

Para o empresário, deveriam permitir a entrada de cidadãos locais e, embora concorde que "alguns possam perder e sair no prejuízo", acredite que finalmente a normativa vai mudar, e com isso, "por fim à brutalidade policial nos cassinos".