A escola reformada em Campo Alegre, onde torraram R$ 600 mil, e cujo teto desabou na cabeça de 15 alunos, não é um exemplo (mau) isolado.
Se for realizada uma vistoria nas escolas ou prédios públicos construídos ou reformados o resultado será sem dúvida surpreendente; vai-se descobrir que o material usado é de quinta categoria, que houve superfaturamento e isso e aquilo.
Foi sempre assim, mas o deputado Ronaldo Medeiros foi simplista ao extremo ao identificar o problema como “resultado da falta de preocupação do governo com a educação”.
Que governo?
Para ser justo poderia ter empregado o termo no plural – é culpa dos governos – e ainda assim não seria 100% justo porque a causa maior é a impunidade.
Vamos recordar: em 2005, ano em que a escola cujo teto desabou foi reformada, o Ministério Público denunciou, com provas robustas, o desvio de R$ 52 milhões da verba destinada à educação em Alagoas.
A denúncia é irrefutável, e para ser mais claro “irrebatível”, mas cinco anos já se passaram sem que os culpados tivessem sido punidos.
Talvez seja necessário que outros tetos desabem; talvez – que Deus nos livre! – seja necessário uma tragédia com vários corpos esmagados, para então desengavetarem o processo e punirem os responsáveis.
Tudo isto porque somos o país do “foro privilegiado” e da “prisão especial” para bandido alfabetizado; o país da “imunidade parlamentar” para parlamentar bandido.
E enquanto a sociedade não pressionar pelas mudanças, a justiça que tarda jamais virá. E, como conseqüência, tem-se o estimulo para que a prática nefasta continue; os desvios de verbas públicos continuem; o superfaturamento de obras, etc.
Em Campo Alegre, a sorte é que os alunos tinham a cabeça dura. E como a justiça para punir quem desviou o dinheiro da educação não vem, é prudente daqui pra frente, por ocasião da matricula, se perguntar aos pais se os filhos têm a cabeça dura ou não.