A promotoria de Nova York vai arquivar nas próximas semanas todas as acusações de agressão sexual contra o ex-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, por causa das dúvidas que pesam sobre a credibilidade da autora da ação, informou nesta terça-feira (5) o jornal New York Post.
"Todos sabemos que este caso não é sustentável", indicou uma fonte ligada à investigação e citada pelo jornal.
Segundo a fonte, o arquivamento deverá ser anunciado na próxima audiência de Strauss-Kahn, prevista para dentro de duas semanas, ou mesmo até antes.
-A credibilidade [da autora da ação] é tão ruim que sabemos que não podermos fundamentar um caso com ela.
A fonte do New York Post refere-se à camareira do hotel oriunda da Guiné, e que acusou Strauss-Kahn de tentar estuprá-la quando ela foi limpar a suíte do hotel Sofitel de Nova York no dia 14 de maio.
Segundo revelaram os promotores na semana passada, ela teria prestado falso testemunho ao júri ao omitir o fato de que limpou outro quarto antes de transmitir ao supervisor do hotel a denúncia de que havia sido sexualmente atacada.
Além disso, segundo os especialistas da área jurídica, as acusações de agressão sexual na França contra Strauss-Kahn, terão pouco ou nenhum efeito em seu julgamento em Nova York.
Acusação de jornalista francesa não afeta processo nos EUA
A jornalista francesa Tristane Banon, de 32 anos, anunciou nesta segunda-feira (4) que processará o ex-chefe do FMI por tentativa de estupro há oito anos, e o ex-diretor-gerente do FMI reagiu ameaçando apresentar uma queixa contra sua acusadora por denúncia caluniosa.
Mas é pouco provável que estes procedimentos afetam o julgamento de Strauss-Kahn em Nova York, onde foi libertado na última sexta-feira (1º) depois que os promotores levantaram dúvidas sobre a credibilidade da camareira que o acusou de agressão sexual.
Matthew Galluzzo, ex-promotor de crimes sexuais de Nova York, explica que a promotoria não pode utilizar o processo de Tristane.
Ele e outros especialistas afirmam que a lei americana faz com que seja muito difícil apresentar o caso francês como prova contra Strauss-Kahn.
"A lei americana é muito restritiva sobre o uso de outros delitos ou faltas como prova em um caso penal", explicou Ian Weinstein, professor de Direito da Universidade Fordham, de Nova York.