Líderes da oposição criticaram a possibilidade de o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) participar da fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour. Um requerimento, pedindo a participação de Luciano Coutinho, presidente do banco, na Comissão de Finanças foi apresentado na Câmara nesta quarta-feira.
PSDB e DEM ressaltaram que o BNDES deveria ajudar em questões relacionadas apenas ao setor nacional. O tucano Duarte Nogueira (SP), lembrou que o banco é para o fomento e não para um "setor privado comprar o outro, de maneira subsidiada".
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Oxyx Lorenzoni (DEM-RS) ressalta que o dinheiro deveria ser investido em outras áreas. "Discordamos que o dinheiro que deveria ir para a infraestrutura de nosso país, para as escolas, para a saúde, vá para financiar o interesse de poucos brasileiros e muitos estrangeiros", disse. "Todos no setor arrozeiro e na agropecuária estão quebrados, produzindo balança comercial negativa".
Com o argumento de criar um "campeão nacional", o BNDES já se comprometeu a aportar R$ 3,91 bilhões --85% do necessário--, tornando-se sócio da empreitada, com 18% da empresa que nasce. O dinheiro para viabilizar o negócio virá do BNDESPar, braço de investimento do banco.
Mais cedo, em uma comissão da Câmara, o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) defendeu a fusão entre os dois grupos e disse que essa operação irá aumentar a pauta de exportações das indústrias brasileiras.
Pimentel afirmou ainda que a participação do BNDES na operação ainda não está fechada, mas ela só irá acontecer se houver garantias de que os produtos brasileiros serão vendidos para outros países.