O delegado federal Alexandre Borges solicitou, nesta terça-feira (28), a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito da Operação CID-F, que revelou uma fraude de cerca de R$ 12 milhões no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A solicitação foi feita ao juiz André Granja, da 1ª Vara da Justiça Federal em Alagoas. Borges pediu mais 15 dias para finalizar a peça policial, cujo prazo para entrega se vence amanhã.

De acordo como delegado, a solicitação aconteceu já que a perícia em computadores e documentos apreendidos durante a Operação não ficou pronta. Borges colocou ainda que algumas oitivas ainda serão realizadas e, por isso, a necessidade de mais 15 dias para a finalização do inquérito.

“Precisamos concluir essa parte de perícia e depoimentos para encerrarmos o inquérito, por isso o pedido”, esclareceu Borges.

A operação

A Operação CID-F foi deflagrada na manhã do dia 14 de junho por agentes da Polícia Federal. Durante a ação foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de prisão temporária, mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar esclarecidos contra sua vontade) e 25 de busca e apreensão. Vinte e quatro pessoas, entre médicos-peritos, beneficiários, servidores do INSS e contadores, foram presas. A quadrilha, de acordo com a PF, foi responsável por uma fraude no INSS, que gerou um prejuízo ao órgão de R$ 12 milhões.

A operação recebeu o nome CID-F (Classificação Internacional de Doença) em alusão à nomenclatura do código usado pelos médicos para descrever no prontuário de licença qual a doença do paciente.

O esquema

As investigações começaram em 2010 e correm em segredo de justiça mas, segundo a Polícia, a fraude acontece no INSS desde 2007. A descoberta aconteceu após denúncias que partiram de servidores do órgão. Com a comprovação das denúncias, os agentes da PF conseguiram comprovar os fatos e chegar até os chefes da quadrilha e todos os integrantes.
A Polícia Federal constatou que contadores criavam empresas fantasmas para criar vínculos empregatícios e desta forma conseguir os benefícios dos supostos funcionários junto ao INSS.

Após a criação da empresa fantasma, os contadores mantinham contato com os servidores do órgão para conseguir os benefícios como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. Os médicos integravam a quadrilha, pois eram responsáveis pelos laudos periciais que comprovava os problemas dos beneficiários para serem favorecidos.

Para que os supostos funcionários conseguissem atendimento com os médicos-peritos integrantes da quadrilha, o esquema burlava os procedimentos até que as remarcações pudessem coincidir com peritos da fraude.