O período de até nove meses definido em abril pela empresa Tepco para normalizar a situação na central de Fukushima pode ser estendido ainda mais devido às dificuldades e imprevistos que estão sendo encontrados.

A hipótese foi levantada nesta quinta-feira em Viena por Denis Flory, subdiretor de Segurança Nuclear da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em entrevista coletiva convocada para informar sobre a situação na usina atômica, seriamente danificada pelo forte terremoto e posterior tsunami de 11 de março.

"Já disse que o prazo dependeria do que fosse encontrado durante o trabalho. Foram detectadas dificuldades, e isso, na maioria das vezes, significa mais tempo", explicou o analista francês.

Embora a Tepco ainda não tenha modificado sua estimativa de que até o final do ano já estará resolvido o problema de combustível nos reatores, Flory indicou que "poderia ser difícil manter" esse prazo.

"Quando você trabalha em uma instalação tão complexa, estabelece objetivos e tenta cumpri-los, mas tem que permanecer realista", indicou.

Flory destacou que a situação em Fukushima continua sendo grave e se referiu à descoberta de que o combustível do reator 1, e possivelmente também do 2 e do 3, se fundiu nos primeiros momentos da crise e se encontra agora no fundo do recipiente do reator, onde foram detectados vazamentos radioativos.

No entanto, detalhou que não há dados que indiquem que o material radioativo tenha escapado para o subsolo ou para os lençóis freáticos e que, até o momento, os vazamentos só afetaram o mar.

A Tepco está preparando a instalação de uma cobertura no reator 1 que evite novos acidentes, enquanto são aplicadas medidas a médio e longo prazo.

Flory também se referiu à conferência ministerial que será realizada em Viena entre 20 e 24 de junho para analisar o ocorrido em Fukushima e as medidas a serem tomadas para que algo assim não se repita.