Quem conhece o ex-governador Ronaldo Lessa sabe das suas virtudes, que são muitas, e dos seus defeitos, que são poucos. Virtude e defeito fazem parte do perfil humano, porque como diz o grande Caetano Veloso na música “Vaca Profana”, de perto ninguém é normal.
Entre as muitas virtudes de Lessa está a sua condição de homem avesso à violência. Nunca se ouviu falar dele o mínimo gesto de violência.
E entre os poucos defeitos de Lessa um lhe parece o mais tenebroso. Trata-se do destempero causado pelas reações momentâneas, pois ele reage às provocações sem medir as conseqüências do que diz e do que faz.
Age destemperado em defesa de um amigo que ele julga estar sendo perseguido ou prejudicado.
Mas, quem conhece o Lessa sabe que dentro daquele tamanho todo ainda reside um jovem ativista. Na época de estudante, o Lessa foi preso pela repressão por ter pichado o muro do Teatro Deodoro pedindo “liberdade para o pessoal de Pariconha”.
O pessoal de Pariconha, que Lessa defendeu, eram militantes de esquerda. Entre eles estava o ex-deputado federal pelo PC do B de Goiás, Aldo Arantes, que viveu escondido no Sertão alagoano fugindo da repressão política em São Paulo.
Lessa os defendeu sem medir as conseqüências e, como não podia falar na mídia censurada pelo regime militar, utilizou o meio comum da pichação para alertar à população sobre o que estava acontecendo.
Mas, o ex-governador parece estar cercado de inimigos íntimos. Nos processos que responde na Justiça, alguns deles se deve à falha de sua defesa – que, de ordinário, perde os prazos de recursos.
Lessa é assim mesmo. E quem o conhece sabe que, na prática, não é nada disso que consta nos autos.