Três aviões deixaram a Líbia nesta quarta-feira (9) em possíveis missões de negociação do regime, relatam diversos meios da imprensa internacional. Uma primeira aeronave levou um alto funcionário do regime líbio ao Egito, de acordo com a agência de notícias espanhola Efe, mas o destino das outras duas era até então desconhecido.
A agência de notícias France Presse informou que uma das duas que sobrou se destina a Portugal, mas não deu detalhes de quem transporta nem o tipo de missão que irá operar. A outra, de acordo com o site de notícias da TV italiana Rai, fez uma escala na Itália e está a caminho de Bruxelas, na Bélgica, sede de grande parte das instituições da União Europeia. O governo da Itália negou a informação, de acordo com a agência de notícias italiana Ansa.
O avião que foi ao Egito levava Abdelrahman al Zawi, membro do círculo íntimo do ditador Muammar Gaddafi, que governa há mais de 40 anos a Líbia e se recusa a sair apesar de uma revolta popular que já dura duas semanas.
O general Zawi é responsável por questões de logística e abastecimento. A emissora de TV Al Jazeera informou que o primeiro-ministro do Egito, Essam Sharaf, compareceu à sede do Conselho Supremo das Forças Armadas do país para participar de uma reunião com o representante do governo líbio. O tema do encontro ainda é desconhecido.
Movimento aumenta especulações de possível negociação
Em meio a um crescente apoio a uma restrição ao espaço aéreo líbio, que provocou uma reação de Gaddafi, dizendo que iria reagir militarmente ao estabelecimento de uma área de exclusão aérea, o jornal parisiense Le Monde publicou uma longa reportagem a análise de vários estudiosos no norte da África sobre a possibilidade de negociação com o regime.
Parte dos entrevistados defende que Gaddafi pode mesmo estudar a partilha do país para manter seu controle na região onde está Trípoli e assegurar o que todos dizem que lhe é caro: seus bens, sua família e poder.
Outros afirmam que, por trás da retórica de que ficará até a última bala, o líder deve se movimentar para garantir estes três itens e não desconsideraria uma renúncia.
No entanto, alguns analistas levantam o argumento, baseado no histórico de Gaddafi, de que ele apenas negocia quando está perdendo espaço e atualmente ele vem ganhando espaço dos rebeldes.