O PDT caiu em desgraça e deve perder o domínio sobre o Ministério do Trabalho. Se não bastasse a insubordinação da bancada federal, que votou contra a orientação da presidente Dilma Rousseff na proposta do salário-mínimo, surgiu agora denúncias de irregularidades no pagamento do seguro-desemprego, e no favorecimento das entidades ligadas à Força Sindical – que disputa o poder com a CUT.
O ministro Carlos Luppi está numa situação delicada e, com ele, o ex-governador Ronaldo Lessa – que ficou sem padrinho para ganhar um cargo federal.
Lessa quer um cargo de direção, com visibilidade. A Sudene seria uma boa, mas emperrou no governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que não gosta dele e trabalhou para reeleger o governador Téo Vilela. Veio depois a proposta da Chesf e novamente a figura do governador pernambucano entrou em cena como empecilho, além do que tem o compromisso com o PMDB do senador Renan Calheiros – que leva um “choque” quando falam em tirar a Chesf do partido.
Lessa pleiteia agora a presidência do Banco do Nordeste, mas está difícil. O próprio ministro Carlos Luppi admitiu a dificuldade de emplacar o nome de Lessa – que não aceita mais cargos decorativos e já disse que não quer fazer o papel de “rainha Elizabeth”, que reina, mas não governa.
O PT aproveita a ocasião para pressionar contra o PDT e, em Alagoas, já se trama a saída de Hete César da Delegacia Regional do Trabalho, o que significa a retomada da DRT pelo PT.
NB - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ainda não perdoou o ex-governador Ronaldo Lessa. Quando Lessa era do PSB tentou derubar o avô (Miguel Arraes) de Eduardo da presidência nacional do partido. Arraes estava fragilizado, pois perdeu a eleição para o governo. Mas, a manobra de Lessa foi abafada e o ex-governador alagoano ficou sem espaço no partido. Lessa foi para o PDT e deixou a mágoa do governador pernambucano, que hoje lhe atrapalha.