A criação das guardas municipais tinha a princípio a finalidade de garantir a segurança do patrimônio público como praças, escolas e postos de saúde. Com o decorrer do tempo e o aumento da criminalidade as guardas municipais, começaram a assumir postura de polícia, mesmo sem ter respaldo legal. Com a criação da lei estadual que determina que os municípios também invistam em segurança pública, o governo do estado tenta dividir o “abacaxi” com os prefeitos.
Em alguns municípios, onde a deficiência operacional da PM existia, a guarda municipal assumiu literalmente a missão de polícia ostensiva e em muitos casos sob o comando de policiais militares da reserva que passaram a exercer esse papel. Paralelamente a isso os guardas passaram também a se organizar para reivindicar direitos iguais aos dos policiais, como porte de arma, melhores salários e vantagens adicionais por tempo de serviço.
Com isso as prefeituras começaram a sentir o peso financeiro de manter as guardas municipais e por isso muitos prefeitos de cidades maiores evitaram institucionalizar as guardas municipais, com papel de polícia. Até porque segurança pública é um dever da União e dos Estados e para isso recebem recursos específicos.
A criação do Sindicato dos Guardas Municipais fortaleceu a categoria, que já ensaiou várias greves nos municípios, deixando a comunidade apreensiva, já que além de fazer a segurança de escolas e postos de saúde, também auxiliavam a PM em diligências e até mesmo no policiamento ostensivo.
É preciso distinguir melhor o papel das guardas municipais, ou transformá-la de direito em policia municipal. Embora essa proposta vá de encontra as propostas de unificação das policias. A distinção entre as policias tem gerado muitas vezes, a falta de cooperação e, por conseqüência fracasso no combate ao crime. Criar mais uma “polícia” e sob a tutela das prefeituras seria um caos para sociedade, que deseja uma só polícia combatendo a criminalidade. Outro problema seriam as deficiências para equipar uma policia municipal, quando a realidade mostra, que falta até esparadrapo em alguns postos de saúde nos municípios. Seria também mais uma responsabilidade assumida pelos prefeitos, que reclamam de tantas missões sem que para isso recebam contrapartida financeira.
Em Alagoas a responsabilidade com a segurança pública também é dos municípios, desde que foi aprovada a lei que determina que as prefeituras destinem 15% dos recursos do ICMS, repassados pelo estado. Incrível mais essa lei só existe em Alagoas e foi criada pelo governo do estado. Por tanto os prefeitos alagoanos são os primeiros a assumirem uma missão constitucional que é da União e dos Estados. Pelo menos o grande abacaxi do atual governo, que são os altos índices de criminalidade, começa a ser divido com os prefeitos.