A operação que está se desencadeando no Rio de Janeiro de combate ao narcotráfico deve trazer para o Nordeste alguns dos chefões do grupos de traficantes de drogas.
Muitos deles podem se passar por turistas nesta temporada, como também podem integrar o esquema do narcotráfico já existente. Cidades como Recife, Maceió, Maragogi, Japaratinga e a Praia do Francês, já tem registro da presença de traficantes cariocas que esconderam nestes municípios.
O tráfico de drogas está estruturado e funciona na região Norte de Alagoas. A base seria a cidade de Porto Calvo, onde há informações da presença de um chefão do narcotráfico. A droga vem da cidade pernambucana de Palmares e é distribuída pelos aviões de Porto Calvo nas cidades de Japaratinga e Maragogi. Com o aumento do fluxo de turistas e veranistas na região, o comércio de drogas deverá aumentar. O crack é principal produto negociado pelos traficantes na região Norte. O crack chega a ser trocado até por coco.
Segundo uma fonte ligada ao esquema na região, a estratégia do narcotráfico na região Norte de Alagoas, segue um acordo entres os traficantes de Maceió e de Palmares. Os pernambucanos só podem vender a droga até o limite da cidade de Matriz do Camaragibe. Tanto é assim que seis meses atrás quando um traficante de Maceió tentava passar um lote de pedras de crack em Porto Calvo foi colocado para correr na base da bala, saindo ferido na ocasião.
O preço da pedra do crack também foi estabelecido pelo narcotráfico na região Norte. Em Maragogi a pedra custa entre R$ 20,00 e R$ 25,00, por causa dos turistas, e nas outras cidades apenas R$ 10,00. O objetivo é viciar o maior número de adolescentes possíveis, para se tornarem “aviões”.
Os traficantes também montaram uma logística e mantém um sistema de entrega da droga através de motocicletas. É o chamado disk crack. Os traficantes também não respeitam as escolas e a venda da droga acontece na porta de muitas unidades escolares de Porto Calvo e Maragogi. O esquema faz parte também do recrutamento de aviões para vender o crack aos turistas que começam a lotar as praias de Litoral Norte. Muitas garotas entre 16 e 18 anos, geralmente de famílias humildes, tem sido as principais vítimas. Os traficantes tem interesse em ter essas meninas, como atrativos para os turistas em busca de sexo.
A praia do Francês, em Marechal Deodoro também faz parte do destino de traficantes em fuga. A Polícia Federal, quando realizada o combate ao narcotráfico em Alagoas, efetivou várias prisões naquela localidade. Hoje está missão vem sendo realizada pela PM e Polícia Civil, que não possuem estrutura para monitorar os traficantes. A população alagoana pode contribuir bastante informando a polícia a presença de pessoas suspeitas.