Quem nos acompanha diariamente em nossos comentários sabe que semana passada havia comentado sobre os problemas que envolviam a realização do censo demográfico. Alagoas teve um crescimento populacional de apenas 275 mil habitantes.
A expectativa seria para um crescimento populacional maior, mas na verdade as informações que tínhamos obtido nos municípios se confirmaram houve um considerável êxodo para vários estados do Sul do Brasil. Do Sertão foram cerca de 12 cidades que tiveram redução populacional, do Valo do Paraíba 6, do Litoral Norte três, que provavelmente perderam população para o vizinho estado de Pernambuco, como foi o caso de Jundiá e Jacuípe que estão na divisa dos estados.
A perda populacional está ligada diretamente com a falta de perspectiva de vida, principalmente com o emprego, educação e saúde. Mesmo com os diversos programas sociais instituídos pelo governo federal, o alagoano prefere buscar no trabalho a dignidade de sustentar sua família e foi em busca de trabalho que ele partiu para outros estados e regiões do próprio estado.
Aqui também havíamos informado que cidades como Maravilha tinha sofrido uma perda de cerca de 3 mil pessoas, e até citávamos o povoado do Tigre como a origem desse êxodo no município. Aquela comunidade praticamente está reduzida hoje a pouco mais de 300 pessoas. Os antigos moradores foram para São Paulo e estados do Centro-Oeste em busca de trabalho no campo, precisamente nas lavouras de cana-de-açúcar.
Maravilha foi o município que mais perdeu população e o número bateu com a nossa informação, ou seja 3 mil habitantes. Isto significa uma redução considerável nos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Entretanto não se sabe o que ocorreu com São José da Tapera, que também pelas informações que temos sofreu um grande êxodo, já que boa parte da população se constitui de mão-de-obra barata para industrial açucareira. Muitas famílias daquele município estão em São Paulo e Mato Grosso do Sul, ou no município de Teotonio Vilela em Alagoas, cidade que se transformou em dormitório para os trabalhadores do Sertão, que no atuam no corte da cana-de-açúcar. A cidade de Teotonio Vilela é também um entreposto, onde os trabalhadores são contratados pelos “gatos”,que levam dezenas de ônibus para outras regiões do País. Fica ai um assunto para que a nova equipe de governo analise e trabalhe para evitar o êxodo dos trabalhadores alagoanos, buscando formas de fixar o homem no campo gerando emprego e renda. Esse com certeza será um grande desafio para o novo governo.