Os principais partidos políticos belgas pediram hoje calma e moderação para tentar retomar as negociações para a formação do Governo, obstruídas mais de quatro meses depois das eleições de junho, e evitar a necessidade de realização de novos pleitos.
"Queremos fazer tudo o que for possível para evitar novas eleições, porque isso não resolverá nada", afirmou hoje a presidente do partido socialista flamengo (S.PA), Caroline Gennez, em declarações à rede pública de rádio e televisão "RTBF", nas quais insistiu que "é preciso acalmar as coisas".
Um dirigente do S.PA, o ex-vice-primeiro-ministro Johan Vande Lanotte, foi encarregado pelo rei Alberto II para exercer a função de "conciliador" e avaliar as possibilidades de retomar as negociações, que buscam um acordo de reforma do Estado como etapa prévia à formação de uma coalizão de Governo.
No entanto, em declarações à "RTBF", o deputado do nacionalista flamengo N-VA Siegfried Bracke, afirmou que seu partido não confiava na missão de Vande Lanotte porque não foi consultado pelo rei. Outras formações políticas também criticaram a missão, embora de maneira comedida.
As negociações estão obstruídas desde o último dia 17, quando os partidos francófonos rejeitaram as propostas do líder do N-VA, Bart De Wever, sobre a reforma do financiamento das regiões que, segundo os partidos, prejudicava à francófona Valônia em detrimento de Flandres.
Apesar de algumas críticas ao N-VA, os partidos flamengos defenderam hoje a ideia de que essa formação continue na negociação para chegar a um novo Governo, apesar dos pedidos feitos para tentar buscar um acordo sem essa força política.
O N-VA, que defende a independência de Flandres, foi o partido mais votado em sua região nas eleições de 13 de junho (com 19,2% dos votos) e a tradição é que as legendas com mais apoio nas urnas em cada lado do país protagonizem as negociações.
A obstrução após mais de quatro meses de negociações, devido em parte à posição firme do N-VA para uma descentralização de competências federais nas regiões, fez com que o sindicato socialista FGTB apelasse por uma frente de esquerda, já que julga a formação nacionalista muito ligada a interesses da direita.
No entanto, socialistas, democratas-cristãos, liberais e ecologistas flamengos concordaram, em outro debate político na rede flamenga "VRT", que o partido campeão de votos na região mais populosa do país siga nas negociações para tentar conseguir um acordo.