Quem é mais réu? A troca de acusações entre os dois candidatos ao Governo do Estado, Ronaldo Lessa (PDT) e Teotonio Vilela Filho (PSDB), levanta esta questão que é difícil de responder, no calor do processo eleitoral. De acordo com o cientista político Alberto Saldanha, esta estratégia faz parte da desconstrução adversária, que os dois estão adotando.

“Em um segundo turno como este, não dá para evitar o bem contra o mau. É preciso desconstruir o adversário, apontando aquilo que é negativo. Na tentativa de demonizar o outro”, destaca o pesquisador. Mas estes pontos não ultrapassam a superficialidade das acusações diretas. Isso porque os dois estavam do mesmo lado, até bem pouco tempo.

Saldanha destaca que nenhum dos candidatos explora os desdobramentos da operação que gerou processos para os dois. “Eles não trazem provas mais contundentes. Ninguém vai comentar, por exemplo, que o secretário de infra-estrutura, na época, era o Adeílson Bezerra (PRTB). Afinal, todos sabem quem o indicou e isso nenhum dos dois quer mexer. Todos têm rabo preso com a questão”, explicou.

Pesquisas eleitorais

Em meio a essas trocas diretas de acusações, as pesquisas servem como termômetros referenciais para angariar recursos. “As pesquisas permitem que os candidatos saibam como está seu ritmo de campanha, se a estratégia de campanha está correta”, destaca Saldanha. Sobre a última amostragem divulgada no último sábado (16), o resultado ainda foi o encontrado nas urnas.

“Isso mostra que a estratégia está servindo muito mais para o Téo que para o Lessa. O reflexo é um Ronaldo cada vez mais preocupado, perdendo a cabeça com equipes de televisão”, declarou o cientista político. Assim, não é surpresa ver o pedetista tentando emplacar uma campanha do tostão contra a do milhão.