A Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais, vai apurar a conduta do advogado Ércio Quaresma Firpe, que defende o goleiro Bruno. A entidade quer saber se familiares e amigos do atleta, além do próprio Bruno, estariam sendo coagidos e ameaçados por Quaresma para que ele não seja retirado do caso, segundo informou a OAB-MG nesta terça-feira.
O diretor de comunicação da OAB-MG, advogado Sérgio Leonardo, informou que o atleta será ouvido nos próximos dias por uma comissão.
"O mais importante neste momento é apurar a vontade do Bruno, se ele quer trocar de advogado mesmo ou não. Se houver uma denúncia em relação a isto a Ordem dos Advogados vai apurar. Se o advogado estiver coagindo o cliente a Ordem tem de agir e, caso for comprovada a conduta negativa do advogado, deve ser instaurado um processo ético-disciplinar contra ele, que pode resultar em advertência ou até mesmo a exclusão do profissional," disse.
A denúncia das suspostas ameaças foram feitas pela noiva de Bruno, a dentista Ingrid Oliveira, em entrevista a um programa de televisão, e também pela avó de Bruno, Estela Santana Trigueiro, 78 anos, que foi quem o criou. Dona Estela denuncia também que Ércio Quaresma estaria induzindo Bruno a tomar medicamentos para simular desmaios na prisão.
"Eu briguei com o Ércio Quaresma porque eu estou chateada. Ele não faz nada para o menino (Bruno). Já fazem 3 meses que eles estão lá e ele só fica enrolando o menino. Dá remédio a ele, que fica desmaiando. A gente vai lá, conversa com o Bruno e ele começa a desmaiar. Lá no Rio, eles deram remédio. Ele (Quaresma) mesmo deu, para o Bruno não falar nada. Para mim ele não seria mais advogado dele não. O Bruno já tentou trocar de advogado cinco vezes, mas o Quaresma não deixa. Ele disse que se trocar, ele vai ameaçar a família. Ele ameaça a gente aqui fora," denunciou.
Ércio Quaresma se defende e afirma que os familiares e amigos de Bruno estão insatisfeitos com o fim das regalias que o goleiro supostamente daria a eles.
"A família de alguns deles (os acusados de participação na morte de Eliza Samudio) preferem sentar-se à mesa com o demônio do que comigo. Eu não me curvo à família, eu atendo aos direitos do meu cliente. Armaram um circo querendo que eu saísse do patrocínio do Bruno. Estão colocando na cabeça de um velha de 70 anos de idade (avó) a idéia que eu sou Satanás", disse.
"O cidadão está sendo alvo de uma cirurgia cardíaca, quem toma conta dele é o cirurgião. No processo penal, sou eu. Eu não dou satisfação para ninguém. Eu tenho que dar satisfação para o preso. Eu busquei, procurei, mas a minha paciência esgotou. Se não me querem como advogado, procurem outro, mas pergunta para o cara primeiro se ele quer trocar. Eu acredito que não. O que há é o pensamento que o Bruno é uma mina de dinheiro, mas na verdade, ele é uma mina de problemas," concluiu.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.