Lendo o artigo do jornalista, radialista e juiz aposentado José Firmino de Oliveira no bravo jornal ALAGOAS DE FATO, o mais novo e independente veículo de comunicação em circulação, volto ao passado. Lá pelos duros 70, durante a ditadura milita, quando circulava a saudosa revista ULTIMA PALAVRA, com Noaldo Dantas e a TRIBUNA DE ALAGOAS, aquela que ficava na rua do Sol em frente ao Colégio Olavo Bilac, onde eu estudava e via todo movimento dos jornalistas no corre corre para driblar a repressão.
Lembro-me do cabeludo Ênio Lins e magro Aldo Rebelo, que faziam reuniões escondidas, para não serem presos pelos agentes da ditadura. Não poderia me esquecer também de Tobias Granja e Freitas Neto.Figuras do jornalismo alagoano que temperavam as tintas com noticias quentes sobre a política local. A turma batia firme e sem medo em figuras como o coronel Elisio Maia e o temido coronel Amaral e no governador Divaldo Suruagy. Mesmo naqueles tempos duros,onde pessoas eram levadas de dentro de casa durante a madrugada e sumiam sem deixar rastros, os companheiros não tinham medo.
Porque não lembrar também de quem estava na Assembléia Legislativa, que mesmo sob o fogo cerrado da ditadura militar possuía parlamentares como Renan Calheiros, Selma Bandeira, Eduardo Bomfim, Mendonça Neto, Moacir Andrade e Ronaldo Lessa. Era realmente uma Assembléia com debates acalorados, mas com respeito as opiniões, sem violência política, até porque o próprio regime se encarregava disso. Enfim não eram bons tempos, mas eram tempos onde ser forjaram grandes lideranças políticas, que deram esperanças a geração que surgia na época, como eu.
Neste contexto tínhamos eleições vivas, com grande comícios realizados geralmente em cima de carrocerias de caminhões, sem bandas, sem shows e com muitas idéias sendo colocadas com embasamento ideológicos. Eram eleições acaloradas politicamente. Tínhamos oradores excelentes como Eduardo Bomfim, Mendonça Neto e Selma Bandeira. Dava gosto assistir aos comícios mesmo com poucas pessoas, pois o povo tinha medo da repressão.
O incrível de tudo era que mesmo com todo aparelho repressivos agindo contra a oposição, que se alojava na grande frente que era o Movimento Democrático Brasileiro o combativo MDB, a esquerda brasileira conseguia eleger com larga folga parlamentares e para isso não se gastava muito dinheiro. A prática da compra de votos era realizada pelos candidatos que serviam a ditadura. As vozes da oposição que se destacavam eram do deputado estadual Renan Calheiros e do senador Teotonio Vilela, o menestrel das Alagoas. Dois combativos militantes do MDB, dois homens que ajudaram a construir a nossa democracia.
Hoje me deparo com uma conjuntura política adversa daquele que descrevi acima. Vejo antigos companheiros em lados opostos. Alguns ainda permanecem coerentes aos seus princípios políticos, que lhe colocaram na vida política. Vejo candidatos de esquerda ao lado de velhos companheiros de esquerda e vejo também outros que traíram seus antepassados, de quem herdaram sua vida política praticando a política do atraso. Outros são o que foram sempre. Não quero aqui discutir esquerda ou direito, mas lembrar a história de cada um e tentar ajudar ao eleitor alagoano e escolher melhor os seus candidatos. Alagoas precisa avançar, precisa sair dos péssimos índices de desenvolvimento social.