O juiz da Corte Federal em Córdoba, na Argentina, Jaime Diaz Gavi, afirmou hoje (6) que o julgamento do ex-presidente argentino Jorge Rafael Videla (que governou de 1976 a 1981) é “histórico”. O magistrado disse que o ex-ditador deve responder por “atos criminosos". Para ele, o fato de Videla ter assumido ontem (5) responsabilidades sobre crimes cometidos ao longo do seu governo não devem se repetir nesta terça-feira.

As informações são da agência oficial da Argentina, a Telam. As declarações de Videla surpreenderam durante o julgamento. “Reitero e assumo plenamente as minhas responsabilidades em todas as ações tomadas pelos militares do Exército argentino na guerra contra os rebeldes", disse Videla. “Os subordinados se militaram a cumprir minhas ordens", acrescentou.

Ontem (5) foi um longo dia de audiência, que começou às 10h45 e seguiu até as 20h25. A sessão será retomada hoje. Desde sexta-feira (2), em Córdoba, ocorre o julgamento do ex-presidente e do ex-general Luciano Benjamin Menéndez - acusados de violação aos direitos humanos durante a ditadura no país.

É o terceiro julgamento por crimes contra a humanidade, em Córdoba, e o primeiro de Videla depois que houve um julgamento de membros da junta militar. Videla e Menendez são acusados em dois processos – a morte de 32 presos políticos, sequestros e torturas cometidos pelo Departamento de Polícia de Informações (conhecido pela sigla D2). Um dos casos mais emblemáticos é conhecido por UP1 e o principal acusado é Videla.

O ex-presidente é apontado como o mandante da execução de 32 prisioneiros políticos, no período de abril a outubro de 1976, em San Martín Prison Unit - na cidade de Córdoba. As vítimas foram presas antes do golpe de Estado de 24 de março de 1974, acusadas pelo Judiciário da época de violar a lei contra a subversão. Homens e mulheres foram massacrados até a morte em circunstâncias diferentes.

Menendez, como fez em outros momentos, recusou-se a depor e repetiu o discurso sobre a suposta "inconstitucionalidade" do tribunal para julgar a "guerra para derrotar o terrorismo marxista que tinha assaltado o país" . Ele disse, porém, que era "o único responsável pelos "atos de seus subordinados”.

O tribunal é presidido por Gavi, acompanhado por Carlos Lascano, Julio María José Pérez Villalobos e Carlos Arturo Ochoa. A acusação, por meio do Ministério Público, é conduzida por Carlos Maximiliano e Hairabedián Gonella, além do apoio de Pablo Bustos Fierro.