A Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou na quarta-feira, a pedido do Ministério Público do Estado, inquérito para investigar a possível ligação do vereador Luiz Claudio de Oliveira (PSDC), o Claudinho da Academia, com o tráfico de drogas na favela da Rocinha.
O pedido de investigação foi motivado por uma reunião com cerca de 100 moradores e comerciantes locais, realizada em julho de 2008, na qual o líder do tráfico Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, ordenou, com ameaças, que os presentes votassem em Claudinho e divulgassem a candidatura do político.
A reunião, confirmada por testemunhas em depoimento ao Ministério Público, já havia resultado em uma ação penal eleitoral, proposta pelo MP em janeiro. Nesta, Claudinho da Academia responde pelo crime de coação de eleitores, cuja pena é de até 4 anos de prisão.
"A investigação policial vai apurar se a comprovada ligação entre o vereador Claudinho da Academia e o traficante Nem está voltada, ou não, para a prática de tráfico de drogas na Rocinha", disse o subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária Institucional e Judicial, Antonio José Campos Moreira, que encaminhou a requisição à Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
O MP avalia que o fato de Nem ter utilizado seu poder para intimidar eleitores, promovendo a candidatura de Claudinho, sugere a existência de um relacionamento mais próximo entre eles, eventualmente com características de associação criminosa. Caso seja comprovado o crime de associação para o tráfico, o vereador pode pegar de 3 a 10 anos de prisão, se condenado.