O avanço dos campos de plantio de cana-de-açúcar nas áreas de cultivo de fumo no Agreste alagoano, na chamada Grande Arapiraca, é um fato preocupante para economia da região. O perfil sócio- econômico daquela região é diferente de todo estado, já que sua economia está baseada na produção agrícola na agricultura familiar.
Esse avanço do plantio da cana-de-açúcar em campos antes nunca registrados faz parte da política do governo federal, com o objetivo de fomentar a produção de bio-combustíveis. O aumento do plantio dos campos de cana-de-açúcar entre 2000 e 2008 passou de 1% para 12%.
Outro fator que incrementou esse aumento dos campos de plantio de cana, foi a participação de grupos internacionais, que começaram a ter participação acionárias em usinas brasileira.
Ainda com relação ao avanço dos campos de cana-de-açúcar no Agreste podemos afirmar que diferentemente de outras regiões, com exceção do Sertão, a Grande Arapiraca tem uma economia pujante, forte, sólida e independente da sazonalidade da cultura da cana-de-açúcar, além disso, a agricultura familiar praticada no Agreste é mais democrática, com relação a distribuição da riqueza produzida pela terra, ao contrário da atividade canavieira que extremamente concentradora e exploradora da mão-de-obra.
Os campos de plantio de cana do Agreste já chegam às portas de Arapiraca e também de Palmeira dos Índios, Limoeiro de Anadia e Anadia e São Sebastião. Municípios integrantes da Grande Arapiraca e que mesmo com problemas sociais, tem uma característica de uso da terra para plantar alimentos, ao contrário dos municípios da zona da mata e litoral, onde 70% de hortifrutigranjeiros é importada de outras regiões e até estados.
A cana-de-açúcar é uma atividade agrícola extremamente concentradora de riqueza, que causa problemas sociais de empobrecimento para as famílias de agricultores. A presença da cana-de-açúcar no Agreste deve provocar uma discussão sócio-política dos economistas alagoanos.