A maioria das vítimas do estouro de uma barragem, um ano atrás, no Piauí, só agora vai começar a receber ajuda.

Um pequeno açude é o que restou da barragem que armazenava 50 bilhões de litros d'água e abastecia o Rio Pirangi, um dos mais importantes do norte do estado, abastecimento essencial em época de seca. No dia 27 de maio do ano passado, a tragédia: a barragem, que já apresentava problemas na estrutura, não suportou a pressão da água e se rompeu. Nove pessoas morreram. Seis eram parentes de Antônio dos Santos: "Eu perdi, da minha família, minha mulher, três netos, um genro e um primo. Não me conformo nunca. Todo dia eu choro".

Centenas de famílias perderam casas, plantações e animais. O trauma deixado pela inundação não passou. Mas os agricultores, mesmo assim, querem que a represa seja reconstruída para que eles possam voltar a produzir. Ainda há muita gente morando de favor, ou de aluguel, sem ter uma renda para pagar as despesas da família.

Dona Maria Carmita Machado não tem como pagar o aluguel."A gente está morando de favor na casa de um cunhado meu e estão querendo que a gente saia".

Três das quatro agrovilas construídas pelo governo do Piauí ficam distantes das margens do rio. A maioria das casas não foi entregue por falta de luz e água encanada.
Esta semana, o Tribunal de Justiça bloqueou R$ 170 mil das contas do governo, a pedido do Ministério Público Estadual, numa ação de indenização por danos morais e materiais. Até o julgamento final do processo, cada família vai receber R$ 60 por mês para comprar alimentos.

"Até o final dessa ação, elas vão poder receber esse pequeno valor. Não é grande, mas, já é alguma coisa pra quem está sem nada", declarou a promotora de Justiça, Francileide de Souza Silva.

A Secretaria de Assistência Social e Cidadania do Piauí informou que 385 casas serão entregues até o dia 15 do mês que vem.