A poderosa federação de sindicatos da África do Sul exigiu na quinta-feira um maior poder de decisão sobre a política econômica e sugeriu a possibilidade de se retirar da aliança formal com o Congresso Nacional Africano (CNA), o partido governista.
A Cosatu, que diz ter quase 2 milhões de membros pagantes, afirmou que estava cansada de obter votos para o CNA e o presidente Jacob Zuma, apesar de ver rejeitadas quase todas as suas propostas políticas.
"Não queremos ficar sentados atrás da caminhonete. Queremos nossas mãos na direção da transformação", disse o secretário-geral da Cosatu, Zwelinzima Vavi, numa entrevista coletiva em Johanesburgo.
Ao apoiar a candidatura de Zuma à Presidência há mais de um ano, os sindicalistas esperavam que ele fizesse mais para os trabalhadores após assumir o poder e introduzisse mais medidas para ajudar os pobres.
Embora Zuma tenha indicado membros de esquerda para o ministério, incluindo o indicado da Cosatu, Ebrahim Patel, para ministro do Desenvolvimento Econômico, a política no geral apresenta pouca diferença com a de seu antecessor, Thabo Mbeki.
Os pedidos da Cosatu por taxas de juros mais baixas, pelo fim das metas de inflação do Banco Central e da manutenção do câmbio do rand têm sido em grande parte ignorados.
Vavi afirmou que a Cosatu convocaria uma reunião especial com o CNA no ano que vem para decidir sobre o caminho a seguir.
Os sindicatos querem ser consultados nas indicações de ministros, de presidentes de empresas estatais e em todas as outras decisões relevantes.
"Precisamos assinar um pacto que garanta que a Cosatu não seja usada como voto de cabresto. A Cosatu não assinará um cheque em branco."