José Vitalino, conhecido como Zé Coqueiro um dos justiceiros mais famosos do Litoral Norte de Alagoas é acusado de ter matado mais ou menos 40 pessoas no Litoral Norte de Alagoas. Amanhã acontece o seu julgamento no Fórum de Porto Calvo e vai atrair milhares de pessoas, que já se inscreveram para garantir um lugar no pequeno auditório.
Quando Zé Coqueiro estava em liberdade a cidade de Porto Calvo praticamente não tinha registro de roubos , furtos ou tráfico de drogas. Quando alguém saia da linha e cometia algum crime, Zé Coqueiro entrava em ação e limpava o terreno e tudo voltava à normalidade. Incrível, mas é essa a versão de vários moradores da cidade.
Mesmo com todo esse “poder” Zé Coqueiro tinha como atividade profissional ser pedreiro e morava no humilde bairro da Manganzala, logo na entrada de Porto Calvo. O apelido não tem nada a ver com o tipo físico de Zé Coqueiro, que na verdade tem pouco mais de um metro e sessenta de altura. Tinham um comportamento extremamente dócil e tranqüilo e nunca se exaltava, ou gritava com alguém. Não era dado a agressões físicas e muitos menos a ameaças. “Se tinha que fazer fazia”, disse um amigo e admirador de Zé Coqueiro. O justiceiro tinha ligações também com integrantes da chamada gang fardada, mas não diretamente com o coronel Cavalcante, a quem Zé Coqueiro não tecia nenhum comentário.
O julgamento da figura está movimentando toda região e até na cidade pernambucana de Palmares vem sendo comentado pelas emissoras de rádio. Uma bolsa de apostas foi criada no valor de R$ 200,00. Faixas foram afixadas pela cidade, pedindo a liberação de Zé Coqueiro e até o famoso advogado Raimundo Palmeira foi contratado a peso de ouro, para defender o humilde pedreiro, que nas horas vagas também fazia política e tem, segundo um vereador da terra, mais de 1 mil votos. Quem estaria bancando os honorários de um jurista tão famoso e competente, já que Zé Coqueiro está preso há mais de dez anos sem trabalhar¿ Há quem diga que alguns candidatos a prefeito em 2012 estariam disputando a simpatia de Zé Coqueiro, para que ele trabalhe como cabo eleitoral no pleito até mesmo desse ano. Incrível como o crime e a política se misturam nesse momento. Coisas do interior e da cultura alagoana, assim como é no Ceará,Paraíba e vários estados no Nordeste.
E ontem ficamos surpresos ao recebermos convide da promotoria pública para assistir, como jornalista que cobre o interior de Alagoas há mais de 20 anos, a esse julgamento histórico e polêmico da crônica do interior e que com certeza vai enriquecer mais ainda o livro que escrevendo.
A tarde teremos mais informações sobre o julgamento dessa figura tão polêmica do Litoral Norte de Alagoas, quem sabe uma entrevista exclusiva com Zé Coqueiro. Vamos aguardar.