Centenas de famílias estão abandonando suas cidades e povoados no Sertão de Alagoas, devido a falta de emprego e falta de apoio a atividade agrícola em Alagoas. Um exemplo é o povoado do Tigre no município de Maravilha, onde segundo o prefeito Márcio Fidelson, cerca de 400 famílias mudou-se para os estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Segundo o prefeito a saída das famílias está ligada a falta de emprego e apoio a atividade agrícola, além das facilidades que encontram na vida nas nos centros urbanos.
Já em São José da Tapera, município exportador de mão de obra, para o corte da cana-de-açúcar, a situação é considerada normal, segundo o prefeito Jarbas Ricardo. O prefeito disse que sempre existiu essa movimentação em seu município, onde o pai da família vai em busca de emprego no Sul do Brasil. “Antes o destino era o estado de São Paulo, mas agora é Mato Grosso”, disse ele. Jarbas Ricardo disse ainda que o município ganha com a ida do provedor da família, já que ele envia para a esposa parte do dinheiro ganho no trabalho no Sul.
Entretanto há muitos casos de abandono das famílias por parte dos pais. No município de Teotônio Vilela, por exemplo, dito como cidade base para famílias de cortadores de cana-de-açúcar, existe centenas de famílias que foram abandonadas pelos homens, que partiram para os estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. As mulheres abandonadas são chamadas de viúvas de maridos vivos.
Nestes casos o problema social vai parar na porta das prefeituras, sempre nas secretarias de ação social, que praticamente toda semana tem que fornecer alimentos para evitar a mendicância na cidade. O abandono dessas famílias provoca também outro grande problema social, que é a prostituição infantil. Dezenas de meninas, entre 13 e 17 anos são colocadas nas ruas, para ajudar no sustento da família e geralmente dos irmãos menores.
O êxodo rural que vive o estado de Alagoas também vai causar a redução dos valores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), devido a realização do censo populacional que será realizado pelo Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE). O número de habitantes é um dos itens que compõe o calculo, para formar o coeficiente dos valores do FPM, que cada município deverá receber.
Vários municípios da região sertaneja alagoana deverão sofrer redução dos valores de FPM, devido ao êxodo rural.