O Banco do Japão (banco central do país) decidiu nesta quarta-feira (17) manter sua taxa de juros em 0,1%, patamar no qual que permanece desde 2008, e anunciou mais medidas para conter a deflação, principal ameaça para a recuperação econômica japonesa.
A deflação - um processo continuado de queda de preços -, que à primeira vista parece beneficiar os consumidores, acaba na verdade acelerando o processo de paralisia da economia. Com a perspectiva de que os preços ficarão ainda menores, os consumidores podem adiar as compras, desacelerando ainda mais o consumo. Isso afeta os lucros das empresas e, no limite, pode levar a fechamento de fábricas e acarretar demissões.
Confirmando expectativas de analistas, o banco anunciou também a expansão e um prazo maior de uma linha de crédito que introduziu em dezembro passado para garantir a oferta de dinheiro ao sistema financeiro, e que tinha uma vigência de três meses. Esse programa de crédito, de R$ 195 bilhões (10 trilhões de ienes), será duplicado, chegando a R$ 390,5 bilhões (20 trilhões de ienes), com a finalidade de incentivar uma desaceleração nas taxas de juros a longo prazo, explicou a instituição em comunicado.
Além disso, ficou definido que a medida estará em vigor durante outros três meses (o primeiro prazo venceria no final de março), e permitirá oferecer empréstimos aos bancos no valor de R$ 15,6 milhões (800 milhões de ienes) em cada operação.
O banco manteve sua avaliação sobre a situação econômica do Japão, que considera estar se recuperando graças à melhora do consumo privado, as exportações e a produção, embora tenha voltado a alertar sobre a ameaça de deflação.
- O banco reconhece que o desafio crítico para a economia japonesa é superar a deflação e retornar a um ritmo de crescimento sustentável com estabilidade de preços.
Em 2009, os preços caíram 1,3% no país, e o governo pressiona o Banco do Japão há muito tempo para que tome medidas mais decisivas de relaxamento monetário com o objetivo de diminuir a ameaça de deflação. A queda dos preços perdura há onze meses na economia japonesa, e o banco acredita que pode durar até três anos